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Home Ciência

Os homens têm um soco mais poderoso do que as mulheres. A Ciência explica porquê

Redação O Tablóide Por Redação O Tablóide
13 de Fevereiro de 2020
Reading Time: 3 mins read
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Regra geral, os homens têm socos mais poderosos do que as mulheres. A evolução pode explicar este fenómeno, já que no passado as lutas interpessoais eram habituais.

Segundo um estudo da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, os machos da espécie humana, como os de outras espécies humanas, desenvolveram força na parte superior dos seus corpos como uma arma crítica para vencer disputas.

David Carrier, professor de ciências biológicas da Universidade de Utah, estuda a hipótese da evolução de estruturas especializadas para a luta no corpo humano devido a gerações de agressão interpessoal entre machos há anos.

“Em mamíferos em geral, a diferença entre machos e fêmeas é geralmente maior nas estruturas que são usadas como armas”, explicou à Phys.

Diversas investigações anteriores debruçaram-se sobre o soco como “arma” humana. Uma delas mostrou que as proporções da mão humana não são ideais apenas para destreza manual, mas também para protegê-la ao formar um punho.

Outro estudo mediu a força dos ossos da cara como alvos possíveis de socos. Por fim, um estudo focou-se em como os nossos pés apoiados no chão podem conferir força adicional à parte superior dos nossos corpos.

Os cientistas já sabem que a parte superior do corpo dos homens tem, em média, 75% mais massa muscular e 90% mais força do que a das mulheres. Mas porquê? Não precisa de ser necessariamente para dar socos. Essa força superior pode ter-se desenvolvido para um lançamento mais eficiente de flechas ou caça com lança, por exemplo.

Segundo Carrier, se os homens evoluíram para se especializarem em dar socos, então devem ser particularmente fortes nos músculos associados a essa ação.

Para descobrir isso, o investigador e os seus colegas projetaram experiências para explorar as diferenças físicas no que diz respeito à força do soco entre 20 homens e 19 mulheres fisicamente ativos. A fim de evitar que os participantes se magoassem, as suas forças foram medidas através de modelos que imitavam os movimentos de um soco.

Os cientistas também registaram a força dos participantes enquanto eles realizavam movimentos semelhantes a atirar uma lança, para eliminar hipóteses alternativas.

Ainda que todos os participantes tivessem níveis semelhantes de aptidão física, a força dos homens durante um movimento de soco era cerca de 162% maior do que a das mulheres. Até mesmo o pior dos homens era mais forte que a melhor das mulheres.

Os cientistas não encontraram a mesma magnitude de diferença no que diz respeito à força dos participantes durante o movimento de tração, o que aumenta a probabilidade de que a força da parte superior do corpo dos homens evoluiu especialmente para desferir socos.

Carrier esclarece que este tipo de diferença entre os sexos, chamada de dimorfismo sexual, é algo que se desenvolve com o tempo e com um propósito. Um artigo sobre o estudo foi publicado, em janeiro, na revista científica Journal of Experimental Biology.

“Este é um exemplo dramático de dimorfismo sexual consistente com o facto de os homens se tornarem mais especializados em lutas, e os homens lutarem de uma maneira específica, que é dando socos”, acrescentou.

No passado, a evolução pode ter levado os homens a especializarem-se em socos, uma vez que as agressões interpessoais eram comuns e faziam parte da sobrevivência da espécie.

No entanto, isto não significa que somos “programados” para lutar. A espécie humana também evoluiu outras características baseadas no convívio com outros indivíduos, como a cooperação entre grupos.

“A natureza humana também é caracterizada por evitar a violência e encontrar maneiras de cooperar e trabalhar juntos, ter empatia, cuidar um do outro. Existem dois lados de quem somos como espécie. Se o nosso objetivo é minimizar todas as formas de violência no futuro, entender as nossas tendências e a nossa natureza realmente ajudará”, apontou Carrier.

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