Cisjordânia, Israel – O Governo português manifestou uma condenação severa aos planos de Israel para a construção de 1200 habitações na Cisjordânia. Através de uma nota oficial, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, tutelado por Paulo Rangel, sublinhou que o avanço do projeto E1 compromete seriamente a viabilidade da solução de dois Estados, criando uma fragmentação geográfica que separa o Norte do Sul do território.
A diplomacia lusa não se ficou pela questão habitacional. Em cima da mesa está também o clima de instabilidade provocado pelos colonos, com o ministério a exigir que os sucessivos episódios de violência na região não fiquem impunes, classificando tais atos como um obstáculo direto a qualquer perspetiva de paz negociada.
O posicionamento de Portugal surgiu em sintonia com um grupo de nações que inclui o Reino Unido, França, Alemanha, Noruega, Países Baixos, Itália e Canadá. Estes oito países emitiram um apelo conjunto para a suspensão imediata de todas as expansões na área, com foco especial no projeto E1 — uma estrutura que prevê 3400 unidades habitacionais espalhadas por 12 quilómetros quadrados entre o colonato de Ma’ale Adumim e Jerusalém Oriental.
Para os subscritores desta declaração, a dimensão do projeto E1 é inaceitável. A concretização desta obra, aprovada em agosto de 2025, ameaça dividir a Cisjordânia ao meio, inviabilizando de forma prática a criação de um futuro Estado Palestiniano. O bloco internacional reitera que o direito internacional é inequívoco neste ponto: os colonatos israelitas são ilegais, uma interpretação que tem sido validada de forma constante pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Perante este cenário, Lisboa reafirmou o seu compromisso com a União Europeia e com a comunidade internacional na busca por um acordo duradouro e abrangente. A mensagem enviada é de que Portugal não abdicará de exigir o cumprimento das normas internacionais, apesar da persistência das autoridades israelitas em avançar com a expansão territorial, mesmo perante os protestos que se arrastam desde o ano passado.











