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Home Editorias Ciência

Primeiras “redes sociais” entre organismos já existiam há 500 milhões de anos

Redação O Tablóide Por Redação O Tablóide
17 de março de 2020
Reading Time: 2 mins read
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(dr) Alex Liu

Restos fósseis de filamentos encontrados na ilha de Terra Nova, no Canadá, sugerem que organismos que existiram na Terra há 500 milhões de anos (rangeomorfos) conectavam-se através de redes essenciais para sobreviverem.

Trata-se da primeira evidência até agora encontrada de que organismos vivos se conectavam desta forma, como uma espécie de “rede social”, frisaram os cientistas, que publicaram recentemente os resultados da investigação revista científica Current Biology.

Estes filamentos, que mediam até quatro metros de comprimento e tinha entre 0,1 e 0,4 milímetros de largura, foram encontrados juntamente com restos fósseis de rangeomorfos, organismos semelhantes às samambaias que habitavam nas profundezas dos mares da Terra durante o período Ediacarano.

Os especialistas observaram 38 leitos de rochas e observaram que, em alguns lugares, havia até 580 filamentos flexíveis por metro quadrado.

Tendo em conta que os rangeomorfos não tinham boca e eram capazes de se mover, os cientistas acreditam que estes filamentos podem explicar como é que estes organismos se reproduziram tão rapidamente no passado.

Estas redes de filamentos, escreveram os cientistas no novo artigo, podem ter interferido nos processos de alimentação, reprodução, comunicação e formação de colónias destes organismos, pelo que a análise deste fenómeno pode ser importante para melhor compreender como é que as espécies desaparecidas interagiam.

“Estes organismos [rangeomorfos] parecem ter sido capazes de colonizar rapidamente o fundo do mar e, geralmente, vemos uma espécie dominante nestes leitos fósseis (…) Como isso aconteceu do ponto de visto ecológico tem sido uma questão de longa data – e estes filamentos podem ajudar a explicar como é que [os rangeomorfos] conseguiram fazê-lo”, disse Alex Liu, do Departamento de Ciências da Terra de Cambridge, no Reino Unido, autor principal do estudo, citado pelo portal Phys.org.

E rematou: “Sempre olhamos para estes organismos como individuais, mas agora descobrimos que vários membros individuais da mesma espécie podem ser ligados por estes filamentos, como uma rede social da vida real“.

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