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Home Editorias Ciência

Que sons fazem os narvais? Cientistas captam áudio raro dos “unicórnios do Ártico”

Redação O Tablóide Por Redação O Tablóide
28 de maio de 2020
Reading Time: 3 mins read
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Uma equipa de biólogos marinhos, com a ajuda de caçadores de baleias inuítes, reuniu uma coleção sem precedentes de vocalizações de narvais, conhecidos como os “unicórnios do Ártico”, oferencendo novas ideias sobre o comportamento destas criaturas.

Os narvais, conhecidos como os “unicórnios do Ártico”, são notoriamente difíceis de estudar devido à sua natureza nervosa e aos seus habitats hostis. Normalmente, os narvais são encontrados nas profundezas da superfície do Oceano Ártico, mas também aparecem nas costas do norte do Canadá e da Gronelândia.

Os narvais são pequenas baleias famosas pela sua presa em espiral que atinge comprimentos de até 3 metros de comprimento.

Os narvais tendem a vaguear em torno de fiordes glaciais perigosos e os sons das lanchas dos cientistas dispostos a enfrentar esses ambientes hostis assustam os tímidos mamíferos aquáticos. Isto explica, em parte, a razão pela qual os cientistas não têm conseguido captar os sons emitidos pelos narvais.

De acordo com o estudo publicado em abril na revista científica Journal of Geophysical Research: Oceans, os narvais vivem numa das “paisagens sonoras mais barulhentes do oceano”. Os glaciares são barulhentos, produzindo todo o tipo de gemidos quando as enormes paredes de gelo avançam e colapsam no oceano.

Investigadores da União Geofísica Americana e da Universidade de Hokkaido têm trabalhado nos últimos anos perto do Glaciar Bowdoin em Baffin Bay, um “ponto quente” para os narvais.

A equipa fez uma parceria com os caçadores de baleias do noroeste da Gronelândia, em julho de 2019, cuja estreita relação com os cetáceos permitiu que se aproximassem dos animais. Pequenos microfones subaquáticos (hidrofones), que chegavam a até 25 metros, foram acoplados a barcos para registar as chamadas sociais e os sons dos narvais.

Dados hidroacústicos e registos de GPS indicaram que os narvais mantém-se a 1 quilómetro dos glaciares enquanto procuram comida.

“Há tantos estalidos devido à fratura do gelo e ao derretimento das bolhas … é como uma bebida com gás debaixo de água”, disse Evgeny Podolskiy, geofísico na Universidade de Hokkaido, no Japão, em comunicado. “Parece que estamos a lidar com animais que vivem num dos ambientes mais barulhentos sem ter muito problema com isso”.

Mais de 17 horas de gravação capturaram os vários sons que os cetáceos usam para comunicar entre si em busca de presas: cliques e estouros (ou zumbidos), tons puros na forma de assobios e tons pulsados. Em alguns casos, os animais aceleravam os cliques até o som se tornar um zumbido semelhante a uma serra elétrica, ajudando as baleias a encontrar as suas presas através de ecolocalização.

“O mundo deles é a paisagem sonora deste fiorde glacial”, disse Podolskiy. “Há muitas perguntas que podemos responder ouvindo fiordes das geleiras em geral.”

Os cientistas também captaram ruídos antropogénicos como os causados ​​por motores de barcos, além de sons causados ​​pelo derretimento do gelo e ruídos de fendas.

As gravações fornecem aos cientistas uma linha de base dos muitos sons que compõem a existência “altamente suscetível” do narval, iluminando comportamentos e habitats pouco compreendidos.

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