O secretário-geral do PCP alertou esta sexta-feira para o risco de os defensores do Serviço Nacional de Saúde caírem na “armadilha” de denunciar os problemas do setor alimentando um discurso de caos que, segundo afirmou, apenas contribui para desacreditar e fragilizar o SNS. Paulo Raimundo deixou ainda críticas aos dois candidatos à segunda volta das eleições presidenciais, António José Seguro e André Ventura.
A intervenção ocorreu durante uma audição pública na Assembleia da República, intitulada “Salvar o SNS — uma necessidade urgente”, promovida pelo grupo parlamentar comunista.
“Os defensores do SNS não podem conformar-se com a situação atual, mas também não podem alimentar a conversa do caos, porque isso só serve para desacreditar ainda mais o Serviço Nacional de Saúde e acabar com ele de vez”, afirmou.
Na sua perspetiva, cabe a quem defende o SNS apontar os problemas existentes, apresentar soluções concretas e identificar responsabilidades, sem recorrer a alarmismos.
Paulo Raimundo dirigiu críticas diretas aos dois candidatos que disputam a Presidência da República. Sobre António José Seguro, questionou a utilidade da proposta de um pacto para a saúde, defendendo que a situação atual resulta precisamente de “um pacto permanente entre PS e PSD”. Já em relação a André Ventura, acusou-o de explorar os problemas do SNS para criar uma narrativa de caos sem apresentar soluções.
“Há um candidato que defende um pacto e outro que enuncia todos os males do SNS fazendo a maior berraria possível, não para melhorar o sistema, mas para servir interesses de negócio”, afirmou.
O líder comunista criticou ainda o que considera ser uma desigualdade de critérios entre o setor público e o privado, apontando que os “apologistas do mercado” impõem regras mais exigentes ao SNS do que às entidades privadas.
Apesar de rejeitar uma posição contra a iniciativa privada na saúde, Paulo Raimundo sublinhou que esta não deve ser financiada pelo Estado à custa do SNS, alertando para um processo acelerado de desmantelamento do serviço público.
“O caminho é salvar o SNS e recolocá-lo no rumo certo, ao serviço dos trabalhadores, dos utentes e do país”, defendeu, acrescentando que não existem soluções imediatas e que promessas de resolução rápida são “mentira ou demagogia”.
O dirigente deixou ainda palavras de apoio aos profissionais de saúde, defendendo a valorização das carreiras como fator essencial para a fixação de trabalhadores no SNS.
Também presente na audição, o ex-deputado comunista Bernardino Soares criticou a mercantilização dos cuidados de saúde, afirmando que o SNS não pode ser gerido como um negócio. Parafraseando Winston Churchill, afirmou que o SNS “é o pior dos sistemas, à exceção de todos os outros”.
Na audição participaram várias entidades e organizações ligadas ao setor da saúde, incluindo sindicatos, associações profissionais, movimentos de utentes e representantes de estudantes de medicina.










