Um novo estudo da Universidade de Ciências Aplicadas Gisma revelou que o salário mínimo nacional (SMN) não cobre as despesas básicas mensais de um adulto solteiro em quase todos os países da União Europeia (UE). Portugal surge nas últimas posições da tabela, com um dos maiores défices entre o salário líquido mínimo e o custo médio de vida em 2025.
O estudo calculou que, em Portugal, o salário mínimo líquido, atualmente fixado em 870 euros, fica 717,22 euros abaixo do necessário para cobrir as despesas médias mensais de um adulto, estimadas em 1.620,22 euros — incluindo o custo médio do aluguel de um apartamento T1, que ronda os 934,92 euros.
Para uma família de quatro pessoas, a situação é ainda mais preocupante: o rendimento médio continua insuficiente em 16 países da UE, com Portugal a surgir entre os três piores casos, com um défice de 1.339,07 euros. Apenas Malta (1.468,62 euros) e Grécia (1.368,69 euros) registam números mais elevados.
Bélgica é exceção e Dinamarca lidera superávits
Entre os países analisados, a Bélgica destaca-se como exceção: o salário mínimo líquido supera o custo médio mensal para um adulto solteiro. Nos casos mais positivos, com maiores superávits, figuram a Dinamarca (2.200,63 euros), a Suécia (2.162,97 euros) e os Países Baixos (1.735,76 euros).
Na outra ponta da tabela, a situação mais crítica é a de Chipre, onde o salário mínimo líquido é de 886 euros para um custo de vida mensal de 1.801,90 euros, gerando um défice de 915,90 euros. República Checa e Malta também apresentam défices acentuados.
Compromissos do governo português
No âmbito do Programa do Governo apresentado em junho, o executivo de Luís Montenegro propôs “garantir um aumento do salário mínimo para 1.100 euros até 2029 e criar condições para que o salário médio suba para 2.000 euros até o final da década, incorporando ganhos de produtividade e inflação”.
Por enquanto, está em vigor o Acordo de Melhoria Salarial e Crescimento Econômico 2025-2028, que prevê aumentos anuais de 50 euros no SMN, até atingir 1.020 euros em 2028.
Uma questão social, além da economia
Para o presidente da Gisma, Ramon O’Callaghan, os resultados evidenciam um problema estrutural:
“Este estudo destaca uma realidade muitas vezes esquecida: em grande parte da Europa, ganhar um salário mínimo não é suficiente para cobrir o custo de vida. Essa não é apenas uma questão econômica; é uma questão de acesso e oportunidade, especialmente para jovens que estão começando suas carreiras.”
O estudo baseia-se em dados do Eurostat, da OCDE e dos institutos nacionais de estatística, considerando rendimentos líquidos para contratos de 40 horas semanais.











