A dimensão da tragédia provocada pelos violentos sismos que assolaram a Venezuela a 24 de junho continua a ganhar contornos mais nítidos e dolorosos para a comunidade portuguesa. O balanço oficial mais recente, divulgado esta segunda-feira pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), aponta agora para 116 mortos entre cidadãos nacionais e lusodescendentes, numa altura em que as equipas de resgate continuam a trabalhar no terreno.
Deste grupo de vítimas mortais, a esmagadora maioria — 99 pessoas — tinha também a nacionalidade venezuelana. O MNE detalhou que, entre as vidas perdidas, contam-se 22 crianças e 94 adultos. A atualização dos dados oficiais permitiu ainda reduzir ligeiramente a lista de cidadãos portugueses dados como desaparecidos ou incontactáveis, que passou de 54 para 53 pessoas em comparação com o relatório de domingo.
O cenário geral no país sul-americano permanece dramático. O relatório mais recente apresentado por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional venezuelana, fixa o número total de óbitos em 4561, enquanto os feridos estabilizaram nos 16.740. No entanto, paira ainda uma enorme incerteza sobre o paradeiro de milhares de pessoas. Embora o governo de Caracas não tenha avançado com um registo oficial de desaparecidos, as estimativas das Nações Unidas apontavam, logo dois dias após o desastre, para a possibilidade de haver até 50 mil pessoas soterradas ou isoladas. Outras projeções independentes colocam este indicador mais perto dos dez mil.
A catástrofe que devastou várias regiões teve origem em dois abalos sucessivos de magnitude 7,2 e 7,5 na escala de Richter, registados a escassos 200 quilómetros da capital, Caracas. De acordo com os dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos, os sismos ocorreram com um intervalo inferior a um minuto, desencadeando centenas de réplicas que continuam a dificultar as operações de socorro e a instabilizar as estruturas que resistiram de pé.











