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Home Editorias Ciência

Teia de espuma pegajosa. Empresa russa tem uma solução para se livrar do lixo espacial

Redação O Tablóide por Redação O Tablóide
17 de junho de 2020
Reading Time: 3 mins read
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Depois de mais de meio século de atividade espacial, existem cerca de meio milhão de objetos artificiais que orbitam o nosso planeta. O lixo espacial assume órbitas valiosas em que os satélites poderiam estar e representa um risco de colisão de satélites e naves espaciais. Agora, uma start-up russa tem a solução.

A ideia da start-up russa StartRocket, cujo plano se chama “Securing Space”, passa por criar uma “teia de aranha” pegajosa feita de satélites que poderão pulverizar todo o lixo espacial com espuma polimérica que afundará com segurança e queimará na atmosfera da Terra.

“Se estamos a falar de lixo aqui na Terra, temos de falar sobre o lixo em órbita – a órbita da Terra faz parte do nosso planeta”, disse Vlad Sitnikov, fundador da StartRocket, em declaraçõess à Forbes. “A SpaceX de Elon Musk quer enviar 6.000 satélites Starlink em órbita, mas quando param de funcionar, ou os desliga ou alguém terá de limpar”.

A StartRocket surgiu pela primeira vez em 2018 com o seu plano de lançar o projeto de ecrãs orbitais de “publicidade espacial” que propunha ter logótipos corporativos visíveis no céu noturno. “Está em espera porque vi quantas pessoas odiavam a ideia”, disse Sitnikov. “As pessoas querem algo diferente.”

A nova ideia sobre a espuma é baseada na mecânica orbital, o arrasto aerodinâmico. “Trabalha no conhecido processo de aumentar a área de superfície de detritos, a fim de aumentar a sua resistência e, assim, fazer com que entre novamente na atmosfera da Terra e queime mais rapidamente”, disse John L. Crassidis, professor do Departament. de Engenharia Mecânica e Aeroespacial na Universidade de Buffalo e especialista em lixo espacial.

Cobertos de espuma, os detritos espaciais descem para a atmosfera e queimam. O conceito de usar espuma para remover detritos espaciais das órbitas tem raízes numa tecnologia pioneira da Agência Espacial Europeia (ESA).

Segundo Crassidis, uma nave “Foam Debris Catcher” (FDC) poderia funcionar porque não precisa de se acoplar a nada, o que poderia fazer com que o satélite principal caísse fora de controle. “A principal desvantagem é que ainda está num estágio inicial de pesquisa”, disse. “Precisamos de mais dados para ver como é viável”.

O plano da RocketStart passa por lançar uma missão de teste, conhecida como Test Foam Sat (TFS), no final de 2021, para ver se o conceito da espuma funciona. “É apenas um barril com um motor de foguete que se conectará à órbita de um pedaço específico de lixo e espalhará a aranha para apanhá-lo”, disse Sitnikov. “É apenas uma impressora 3D em órbita para provar que a espuma funciona”.

O TFS será uma pequena impressora 3D movida a energia solar conectada a um CubeSat, que tentará criar pequenas “armadilhas” quadradas feitas de espuma e terá uma câmara para fotografar e filmar todo o processo.

Um TFS pode desorbitar até 50 quilogramas de detritos espaciais em cinco anos.

O TFS pesa apenas cinco quilogramas, o que deverá custar 88.500 dólares para construir e 100 mil dólares para lançar para a órbita. “Podemos ir com qualquer missão: SpaceX ou uma missão da Índia ou do Japão – só precisamos de encontrar algum espaço vazio num foguete”, disse Sitnikov.

Se tudo correr bem, o RocketStart quer lançar um satélite muito mais capaz e maior – com cerca de 30 a 50 metros de diâmetro. Uma vez numa órbita de até 1.000 quilómetros, o FDC pulverizará fios da espuma para criar esferas adesivas de 150 metros de diâmetro ao redor do satélite – criando algo como uma teia de aranha ou uma armadilha contra moscas para o lixo espacial.

A FDC pesaria cerca de 100 quilogramas e deverá custar um milhão de dólares para construir e dois milhões para lançar para a órbita. Espera-se que consiga apanhar uma tonelada de lixo espacial.

Agora, a StartRocket está a trabalhar na fórmula precisa para a espuma polimérica. Se for bem-sucedida, a fórmula da espuma estará disponível em código aberto para que outros satélites semelhantes possam ser lançados.

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