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Home Editorias Ciência

“Vai continuar a queimar”. Covid-19 é parecida com fogo florestal, não com ondas e picos

Redação O Tablóide por Redação O Tablóide
7 de agosto de 2020
Reading Time: 3 mins read
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Com o surgimento do novo coronavírus no mundo, vários especialistas previam que este iria surgir em ondas e picos. Agora a visão de futuro é outra e os especialistas dizem que a pandemia se compara a um “incêndio florestal que vai continuar a queimar”.

Segundo o Science Alert, especialistas americanos, tentaram perceber durante a primavera, como será o futuro da pandemia. A conclusão à qual a maioria chegou foi a seguinte: o vírus iria recuar no verão e voltaria numa segunda onda, mais severa, no outono. Esta era a conjuntura esperada caso o vírus se assemelhasse a uma gripe sazonal.

Agora os estudiosos recusam a ideia de um sistema de picos, pois não existe evidência de uma diminuição dos infetados ao longo do tempo. O epidemiologista Michael Osterholm afirma ao Bussiness Insider que o vírus continua muito ativo e compara a força da sua propagação à do fogo: “É como um incêndio que procura lenha humana para queimar”.

Apesar de em abril Osterholm ter colaborado num relatório que descreveu a possibilidade de uma segunda onda no Outono, agora contraria a ideia e analisa os gráficos. “Vemos que não há ondas”, diz o cientista.

“Em abril, ainda estávamos a avaliar se veríamos ondas verdadeiras onde há grande aumento de casos e, em seguida, uma depressão e uma segunda onda maior por razões alheias ao comportamento humano”, explica Osterholm, que também é diretor do Centro para Pesquisa e Política de Doenças Infeciosas, no Minnesota.

O cenário da segunda onda, que o grupo descreveu no relatório elaborado em abril, teve como principal fundamento a análise da trajetória da gripe espanhola e da gripe suína, que ocorrem em 1918 e 2009, respetivamente.

Um outro cenário apresentado no relatório sugeriu que a primeira onda de infeções por Covid-19 pode ser seguida por um ciclo caraterizado por picos que são ligeiramente mais baixos durante o verão.

O terceiro cenário expõe uma situação de transmissão contínua e de novos casos após o pico de infeções na primavera. Porém a realidade não está alinhada com nenhum destes quadros avançados pelos especialistas.

Para Osterholm, a pandemia é “um incêndio a longo prazo”.

Ainda assim vão surgindo outras opiniões sobre o novo coronavírus. Margaret Harris, porta-voz da Organização Mundial da Saúde, acredita que a pandemia provavelmente “será uma grande onda”.

Tal como a gripe, o novo coronavírus espalha-se através de gotículas que as pessoas emitem ao tossir, espirrar ou falar, e ambos os vírus podem ser transmitidos mesmo quando as pessoas infetadas não apresentam sintomas.

Essas caraterísticas fizeram das passadas pandemias de gripe, um modelo que se tornou viral em comparações iniciais. Contudo, algumas considerações levam a acreditar que o coronavírus não é sazonal.

“As pessoas ainda estão focadas em pensar que o vírus aparece ou desaparece tendo em conta as estações do ano. É preciso entender que este é um novo vírus“, disse Harris.

Rachel Baker, Investigadora do Instituto Ambiental de Princeton, explica o porquê de o coronavírus não surgir de acordo com as estações do ano: “Quando um novo vírus surge numa população que não o tinha antes, a falta de imunidade torna-se o principal fator de disseminação, e o clima não importa muito no início“.

Em conversa com Bussiness Insider, a investigadora mostrou que o clima quente apenas diminuiu a propagação do vírus depois de uma grande parte da população já se ter tornado imune à infeção.

No entanto, é possível que o coronavírus “passe a enquadrar-se no padrão clássico sazonal com um pico nos meses de inverno”, mas isso deverá acontecer dois a três anos após o contacto com a população, esclarece Baker.


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