André Ventura afirmou que os debates deverão ser transmitidos em todos os canais de televisão e poderão realizar-se nos moldes que António José Seguro entender. O candidato presidencial André Ventura desafiou esta terça-feira o seu adversário, António José Seguro, a participar em três debates durante a campanha da segunda volta, acusando o socialista de “fugir” à discussão por “medo do confronto”.
A proposta foi apresentada pelo líder do Chega em declarações aos jornalistas em Sacavém, no concelho de Loures, onde realizou a primeira iniciativa de campanha após a primeira volta das eleições presidenciais.
Segundo André Ventura, os debates devem ser emitidos por todos os canais televisivos e organizados no formato que Seguro preferir, defendendo que o candidato socialista “não pode passar três semanas de uma segunda volta inédita a repetir generalidades e discursos vazios sobre a extrema-direita”.
“Os portugueses não querem conversa fiada nem discursos da treta. Querem saber o que se pensa sobre saúde, economia, segurança e imigração”, sublinhou.
Ventura afirmou “ter informação” de que António José Seguro estará a preparar-se para evitar debates nesta fase da campanha ou, no máximo, aceitar apenas um confronto direto, acusando-o de ser “medricas” e de fugir ao debate político. O candidato não especificou a origem dessa informação, mas considerou que, se tal se confirmar, caberá aos eleitores “avaliar essa escolha”.
“Lanço hoje este desafio a todos os canais e órgãos de comunicação social. Estou disponível. O país precisa de esclarecimento. Vamos evitar uma campanha feita de generalidades, de slogans sobre ‘todos os portugueses’, da ‘extrema-direita’ ou do ‘fantasma do fascismo’. Vamos discutir o país a sério”, reiterou.
Ventura defendeu que debater “é o mínimo” que se pode exigir a candidatos presidenciais e considerou que uma eventual recusa de Seguro revelaria “medo do confronto de ideias”.
“O que suspeito é que não tem muito para dizer aos portugueses. Passou a campanha inteira a repetir generalidades. Comigo, não consegue passar uma hora a fazer isso”, afirmou.
Questionado sobre a razoabilidade da exigência, o líder do Chega sustentou que três semanas de campanha justificam a realização de três debates, defendendo ainda a importância de um frente a frente dedicado à situação da saúde em Portugal.
Ventura destacou também que, no passado domingo, passaram à segunda volta “dois projetos”: um socialista, com o qual discorda, e o seu, que pretende “romper com o sistema”, antecipando para o dia 8 de fevereiro uma disputa entre “quem quer o regresso do socialismo e quem não quer”.
Sobre a redução do número absoluto de votos face às eleições legislativas, contrapôs que houve um aumento em termos percentuais, defendendo que esse é o critério relevante.
“Temos de comparar com quem votou. Caso contrário, em todas as eleições todos os partidos perdem votos. É preciso algum rigor”, afirmou.
O candidato presidencial falou ainda dos próximos dias de campanha, antecipando uma “campanha popular, junto das pessoas”, para demonstrar que é quem “melhor responde às ansiedades de mudança”.
“Apelo a todos, sobretudo aos que não querem o socialismo de volta. É para esses que falo e é com esses que vou tentar dialogar nas próximas semanas”, concluiu.










