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Home Ciência

12 mil anos de história genética mostram que todos os caminhos vão (mesmo) dar a Roma

Redação O Tablóide Por Redação O Tablóide
12 de Novembro de 2019
Reading Time: 3 mins read
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Gustave Boulanger / Wikimedia

Afinal, pode haver alguma verdade no famoso provérbio que diz que “todos os caminhos vão a Roma”. Essa é a conclusão de investigadores que descobriram a rica história genética da área.

No auge do Império Romano, a cidade de Roma era incomparável a qualquer outra cidade. Guido Barbujani, geneticista de população da Universidade de Ferrara, em Itália, que não esteve envolvido neste estudo, diz mesmo que “Roma era como a cidade de Nova Iorque”, de acordo com um artigo publicado na revista especializada Science.

Tal como a atual Nova Iorque, a antiga Roma era uma grande mistura de pessoas e culturas, acreditando-se mesmo que tenha sido a primeira cidade do mundo a atingir um milhão de habitantes. Esse recorde não foi superado até à Revolução Industrial da Europa, cerca de 1.500 anos depois. Enquanto isso, o império circundante atraiu 70 milhões de habitantes em três continentes – Europa, Oriente Próximo e Norte da África.

“Não esperávamos descobrir que Roma era um centro cosmopolita desde os primeiros estágios – durante a Idade do Ferro”, disse o co-autor Ron Pinhasi, da Universidade de Viena, em declarações à Newsweek . “Também não esperávamos encontrar imigrantes do norte da África e potencialmente também mais a sul, no Médio oriente e no norte da Europa”.

Apesar de sabermos muito sobre a história e arqueologia da cidade de Roma, pouco se sabe sobre a genética dos seus habitantes. Por isso, uma equipa de cientistas examinou o genoma de 127 indivíduos provenientes de 29 sítios arqueológicos em Roma e as suas regiões vizinhas, do período mesolítico aos tempos modernos.

A análise revelou três “grupos” genéticos, sugerindo poucas mudanças genéticas entre a Idade do Ferro e o presente.

O primeiro destes aglomerados era o dos três caçadores-coletores mesolíticos de uma caverna nas montanhas dos Apeninos. Esses caçadores-coletores tinham entre 12 mil e nove mil anos e mostraram relativamente pouca heterozigosidade. A análise revelou que a sua genética era mais parecida com a dos caçadores-coletores ocidentais.

Durante o período neolítico, houve uma grande mudança na ancestralidade e um segundo grupo genético, desencadeado pela transição para a agricultura, crescimento populacional e contribuição genética de agricultores anatólios e iranianos.

Isto foi seguido por uma segunda grande mudança de ancestralidade durante a Idade do Bronze, quando os avanços na tecnologia viram uma maior mobilidade entre as populações. Carruagens e vagões permitiam o movimento em terra, enquanto as melhorias nas tecnologias de navegação tornavam mais fácil a travessia do Mediterrâneo. Durante esse período, os cientistas encontraram maiores evidências de ascendência norte-africana e neolítica iraniana.

Quando a Roma Imperial se estabeleceu, passando de uma cidade-estado para um império que se estendia até à Inglaterra no oeste, norte da África no sul e Assíria no leste, atraiu pessoas do sul e centro da Itália, Grécia, Chipre e Malta no Mediterrâneo oriental. Embora tenha havido algumas mudanças, a genética permaneceu relativamente inalterada.

Segundo os investigadores, são necessários mais estudos para se saber mais sobre os complexos processos sociais em Roma e as interações entre pessoas diferentes de diferentes ancestrais em relação a aspetos como a estratificação social.

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