Candidato presidencial esteve em Leiria, onde defendeu que faltou maior antecipação para minimizar os prejuízos. O candidato presidencial André Ventura apelou esta quinta-feira ao Governo para que atue com rapidez na concessão de apoios às pessoas e empresas afetadas pelo mau tempo, defendendo que deveria ter existido maior planeamento preventivo para reduzir alguns dos impactos registados.
“Queria deixar este apelo ao Governo, seja enquanto candidato a Presidente da República, seja como líder do maior partido da oposição: é fundamental agir de forma célere. Não há qualquer razão ou justificação para atrasos. O que é necessário agora é agir com rapidez, com urgência e com determinação, garantindo que os apoios chegam efetivamente a quem precisa e que ninguém fica para trás”, afirmou.
André Ventura deslocou-se esta quinta-feira ao centro da cidade de Leiria para observar os danos causados pela passagem da tempestade Kristin, dizendo-se “profundamente impressionado” com o “nível de destruição” encontrado no terreno.
O candidato a Belém considerou ainda que, “assim que se percebeu a dimensão do ocorrido”, deveria ter sido acionada uma resposta preventiva que não se verificou, nomeadamente para evitar falhas nas redes elétrica e de comunicações.
“As responsabilidades terão de ser apuradas, mas esse não é o foco de hoje. O que causa perplexidade é perceber porque é que tudo voltou a falhar num país que já passou por situações semelhantes, porque continua sem liderança e sem prevenção, e porque áreas objetivas e essenciais, como a energia e as comunicações, voltaram a colapsar”, sublinhou.
“Nenhum Estado consegue impedir catástrofes, isso é evidente, mas pode e deve estar preparado. No nosso caso, já deveríamos estar preparados, porque isto já aconteceu antes, e falhámos quando não era admissível falhar”, criticou.
Ventura lamentou também o facto de algumas unidades de saúde poderem estar em risco devido à inexistência ou insuficiência de geradores.
O candidato sugeriu ainda o envolvimento das Forças Armadas no apoio às populações, nomeadamente na desobstrução de caminhos e acessos em explorações agrícolas.
Em campanha para a segunda volta das eleições presidenciais, marcada para 08 de fevereiro, André Ventura justificou a visita, realizada com a habitual comitiva de dirigentes do Chega e jornalistas, afirmando que os responsáveis políticos devem “estar no terreno e ouvir as pessoas”.
Questionado sobre a possibilidade de esta ação ser interpretada como aproveitamento político, após críticas de alguns populares, respondeu que “os políticos têm de dar a cara quando as coisas acontecem” e admitiu visitar outras zonas afetadas.
Interrogado ainda sobre se estas deslocações podem dificultar o trabalho no local, não respondeu diretamente, reiterando apenas que quer estar “ao lado das pessoas” e que “não faz sentido que, perante um fenómeno devastador que destrói economias, poupanças e gera angústia, os políticos se escondam nos gabinetes ou palácios”.
No mesmo dia em que visitou uma das áreas afetadas, tal como o primeiro-ministro, André Ventura criticou Luís Montenegro, afirmando que “ontem ficou a sensação de que o Presidente da República, a ministra da Administração Interna e o primeiro-ministro estavam ausentes em combate”.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um cenário de destruição, com pelo menos cinco mortos confirmados pela Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara Municipal da Marinha Grande contabiliza ainda mais uma vítima mortal no concelho.
Quedas de árvores e estruturas, estradas cortadas ou condicionadas, interrupções nos transportes — sobretudo ferroviários —, encerramento de escolas e falhas no fornecimento de eletricidade, água e comunicações foram alguns dos principais danos provocados pelo temporal.
Leiria, distrito por onde a depressão entrou no país, assim como Coimbra e Santarém, estão entre as zonas mais afetadas.
O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira e as 23h59 do dia 01 de fevereiro em cerca de 60 municípios, número que poderá ainda ser alargado.











