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Home Editorias Ciência

Comissão Europeia aprova comercialização da primeira vacina para o Ébola

Redação O Tablóide Por Redação O Tablóide
13 de novembro de 2019
Reading Time: 3 mins read
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Julien Harneis / wikimedia

A Comissão Europeia anunciou no início da semana que concedeu uma autorização para a comercialização da primeira vacina contra o Ébola, designada Ervebo e produzida pela farmacêutica Merck.

A vacina estava a ser produzida desde o surto de Ébola na África Ocidental, em 2014. Agora, está a ser utilizada no surto que decorre na República Democrática do Congo (RDC), com base em um protocolo de “uso compassivo”, noticiou a Ars Technica esta quarta-feira.

O atual surto na RDC já vitimou cerca de 2.200 desde agosto de 2018, registando-se quase 3.300 casos. Este é o segundo maior surto registado, superado apenas pelo surto da África Ocidental, que originou 28 mil casos e causou mais de 11 mil mortes.

Dados preliminares da utilização da vacina na RDC mostraram que a Ervebo é 97,5% eficaz na prevenção da doença, tendo protegido mais de 90 mil pessoas expostas ao surto.

A vacina protege contra uma das quatro variantes do Ébola, conhecidas por infetar seres humanos: a do Zaire. Esta é responsável pelos surtos na RDC e na África Ocidental, e por quase todos os outros registados desde que o vírus foi descoberto, em 1976.

“Encontrar uma vacina o mais rapidamente possível contra esse terrível vírus é uma prioridade para a comunidade internacional desde que o Ébola atingiu a África Ocidental, há cinco anos”, afirmou o comissário europeu Vytenis Andriukaitis, num comunicado divulgado no domingo. “A decisão de hoje é, portanto, um grande passo para salvar vidas”.

A vacina foi inicialmente desenvolvida por investigadores do Laboratório Nacional de Microbiologia da Agência de Saúde Pública do Canadá, que posteriormente a licenciou para a NewLink Genetics Corporation. A Merck obteve a licença em 2014, quando já decorria o surto na África Ocidental, tendo continuado o seu desenvolvimento.

“Este é um marco histórico e uma prova do poder da ciência, inovação e parceria público-privada”, disse o CEO da Merck, Kenneth Frazier, em comunicado. “Depois de reconhecer a necessidade e a urgência de uma vacina contra o Ébola Zaire, muitos se reuniram em vários setores para responder à demanda global para a preparação contra os surtos. Nós, da Merck, temos a honra de participar dos esforços na resposta aos surtos de Ébola e continuamos comprometidos com nossos parceiros e com as pessoas a quem servimos”.

A Food and Drug Administration, agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, deve tomar uma decisão sobre a comercialização da vacina em março de 2020.

Enquanto isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou na terça-feira que “pré-qualificou” a Ervebo, sinalizando aos países membros que a vacina atende aos seus padrões de segurança, qualidade e eficácia.

Em comunicado, a OMS observou que este foi “o processo de pré-qualificação de uma vacina mais rapidamente realizado” pela organização, tendo ocorrido menos de 48 horas depois que a Comissão Europeia aprovou a vacina. A organização acrescentou que está a trabalhar para facilitar o licença de comercialização em países em risco de surtos de Ébola.

A pré-qualificação “é um passo histórico para garantir que as pessoas que mais precisam possam aceder a esta vacina que salva vidas”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “Há cinco anos, não tínhamos vacina nem terapia para o Ébola. Com uma vacina pré-qualificada e com a terapêutica experimental, o Ébola agora é evitável e tratável”, concluiu.

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