Genebra, Suíça – O acidente vascular cerebral (AVC) mantém-se como a segunda maior causa de morte no planeta, superando em impacto muitas patologias que dominam a conversa pública diária. Os dados mais recentes da OMS revelam uma tendência preocupante: entre 1990 e 2021, a incidência de novos casos cresceu 70%, enquanto a mortalidade associada subiu 44%. Esta realidade levou à aprovação, durante a Assembleia Mundial da Saúde de 2026, de uma resolução específica que coloca o AVC no centro das prioridades da saúde pública global.
Catarina Ribeiro Amaral, médica interna de Neurologia no Hospital Universitário de Genebra, sublinha que o tempo é o fator determinante em qualquer episódio. A rapidez no socorro não é apenas uma questão de sobrevivência; é o que separa uma recuperação funcional de um quadro de sequelas irreversíveis. O reconhecimento imediato dos sintomas — como a dormência súbita num dos lados do corpo, a assimetria facial que provoca a queda da boca, dificuldades na fala ou na compreensão e alterações na visão — é o primeiro passo para mitigar os danos.
O cenário estatístico é alarmante. Nas últimas duas décadas, a probabilidade de uma pessoa sofrer um AVC ao longo da vida disparou 50%. Atualmente, estima-se que um em cada quatro adultos venha a enfrentar esta situação. Em 2021, o registo global atingiu os 93,8 milhões de casos acumulados, sendo que 11,9 milhões destes representaram ocorrências inéditas.
Contudo, a mensagem de fundo é que grande parte destas fatalidades pode ser evitada através de uma estratégia preventiva rigorosa. O controlo clínico da tensão arterial, dos níveis de colesterol e da diabetes constitui a base da defesa individual. A isto, soma-se o impacto direto das escolhas diárias: o exercício físico regular, uma dieta equilibrada e, de forma imperativa, a eliminação do consumo de tabaco e álcool.
Para que os sistemas de saúde respondam eficazmente a esta emergência, a OMS estabeleceu três pilares indispensáveis que qualquer unidade hospitalar deve assegurar. O primeiro é a capacidade de realizar tomografias computadorizadas sem atrasos; o segundo, o acesso imediato à medicação específica necessária; e o terceiro, a implementação de protocolos de reabilitação precoce. Estas medidas visam não só salvar vidas na fase aguda, mas garantir que o doente consiga retomar as suas atividades diárias com o mínimo de limitações possível.
A nova resolução internacional pretende agora forçar governos a reforçar os seus sistemas, otimizando o diagnóstico e a prontidão das respostas nacionais, com o objetivo claro de reduzir o peso insustentável que o AVC coloca sobre as sociedades modernas.











