Arcos de Valdevez, Portugal – A tensão entre pastores e a gestão da fauna selvagem voltou a manifestar-se quando José Manuel Fernandes foi interpelado em Arcos de Valdevez por um grupo de produtores pecuários, à entrada para um fórum dedicado à pastorícia extensiva.
Confrontado com a destruição de rebanhos por matilhas de lobo-ibérico nas regiões do Minho e de Trás-os-Montes, o governante reconheceu publicamente que os criadores têm toda a razão nas suas reivindicações. Perante as queixas acumuladas no terreno, o ministro garantiu que o executivo está a mobilizar todos os esforços para compensar os prejuízos registados.
Do lado dos produtores, a resposta afasta a centralidade financeira. Orlando Gonçalves, porta-voz da União dos Produtores de Gado Lesados pelos Lobos, rejeitou a suficiência das indemnizações monetárias e exigiu a remoção do animal do território, alertando para a frequência cada vez maior das investidas predatórias contra o gado.
Em resposta às críticas, a tutela destacou a necessidade de valorizar o trabalho diário dos agricultores e pastores, sublinhando que a realidade da atividade nem sempre é compreendida na sua totalidade. No plano prático, o governante lembrou a atualização recente dos montantes indemnizatórios, que triplicaram face aos valores anteriores atribuídos por cada animal abatido.
Para mitigar o impacto no terreno, estão previstas ações complementares que passam pela introdução de presas naturais para alimentar o lobo, a colocação de vedações de proteção e o reforço do apoio com cães de pastoreio. Contudo, o ministro frisou que a aplicação destas ferramentas exige uma análise rigorosa das caraterísticas de cada região, uma vez que a instalação generalizada de vedações ou cães se revela impraticável em determinados locais, exigindo por isso uma intervenção direcionada.










