Portugal, Portugal – O primeiro semestre de 2026 desenhou um cenário preocupante na floresta nacional. Entre janeiro e julho, as chamas consumiram 53 731 hectares de território, um valor que coloca este período como o segundo mais severo da última década, ficando apenas atrás dos números observados em 2022. O balanço, extraído do relatório provisório do ICNF, contabiliza um total de 5755 ocorrências, um aumento de 1% face à média dos últimos dez anos.
A gravidade da situação ganha contornos mais claros quando se analisa a dimensão das ignições. Foram identificados 44 “grandes incêndios” — ocorrências que superaram os 100 hectares cada e que, somadas, representam 81% da área total destruída pelo fogo. A lista de pontos críticos aponta para os municípios de Valpaços, Vouzela, Guarda, Chaves e Alijó como os palcos dos maiores sinistros deste semestre.
No que toca à geografia do desastre, os distritos do Norte acumularam o maior volume de alertas: Porto, com 860 ocorrências, Braga, com 549, e Viana do Castelo, com 506, lideram o número de fogos. Todavia, a maior devastação em termos de hectares recaiu sobre Viseu, o distrito mais atingido, seguido de perto por Bragança.
O relatório esclarece ainda as origens deste flagelo. O comportamento humano continua a ser o fator determinante: a queima de amontoados de sobrantes agrícolas e florestais está na génese de 24% dos incêndios. O incendiarismo, com 16%, e a realização de queimadas extensivas, com 7%, completam a lista das causas mais frequentes identificadas pelas autoridades.
Julho revelou-se um mês particularmente crítico. Só neste período, o país enfrentou 1700 incêndios, o que representa quase um terço do total do semestre. A virulência do mês de julho é ainda mais evidente na área consumida: dos mais de 53 mil hectares perdidos desde o início do ano, cerca de 39 253 hectares arderam apenas no sétimo mês, concentrando 73% da destruição total. Com estes indicadores, 2026 assume o quinto lugar em número de incêndios e o terceiro em área ardida desde 2016, num exercício de memória que ainda recorda os 146 508 hectares perdidos em 2017.










