Lisboa, Portugal – Oito meses depois das tempestades que assolaram o país em janeiro e fevereiro, a rede rodoviária nacional mantém ainda 16 estradas totalmente encerradas, enquanto outras quatro funcionam sob condicionamento. O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, justificou esta quarta-feira, no parlamento, a lentidão da recuperação: não se tratam de simples reparações, mas de intervenções estruturais profundas.
Durante a audição na Comissão Eventual para a Resiliência Nacional, o governante sublinhou que, em muitos destes pontos, o terreno exige agora sondagens, estudos geológicos e até processos de expropriação. A gravidade dos danos foi de tal ordem que, em vários casos, a reconstrução impõe a construção de novos troços, sendo fisicamente impossível retomar o traçado original das vias.
O impacto na ferrovia seguiu a mesma tendência de gravidade, totalizando 681 ocorrências. O calendário de normalização prevê que a Linha da Beira Baixa reabra a 20 de setembro, ao passo que a Linha do Oeste terá um regresso faseado, com a conclusão prevista apenas para o início do próximo ano. Para suportar este esforço financeiro, o Governo reforçou o orçamento da Infraestruturas de Portugal em 400 milhões de euros, somando-os aos 90 milhões já afetos à empresa, com 299 milhões de euros já contratados até à data.
No setor das telecomunicações, o cenário é de recuperação avançada, embora a infraestrutura física continue em processo de reabilitação. Se a prestação de serviços está praticamente restabelecida, a reposição definitiva de cerca de 16 mil postes e quilómetros de cabos danificados só deverá estar concluída no primeiro semestre de 2027.
Quanto ao apoio habitacional, o executivo revelou que foram processadas 35 908 candidaturas para recuperação de casas. Destas, 82% foram analisadas e 93% das aprovadas já receberam o devido pagamento, totalizando 80 milhões de euros distribuídos às famílias. Contudo, quase um terço dos casos foi indeferido, maioritariamente por se tratar de habitações secundárias, problemas na titularidade da propriedade ou por colisão com coberturas de seguros privados. No sistema segurador, foram registadas 179 mil participações, com uma taxa de resolução de 81%.








