O ministro da Administração Interna, Luís Neves, avançou com a demissão do secretário-geral da pasta, num despacho tornado público após um período de forte tensão institucional. A decisão gerou uma resposta imediata por parte do ex-responsável, que classificou a exoneração como um ato de retaliação e apontou o dedo ao governante, acusando-o de exercer pressões ilegítimas e de manter uma interferência política asfixiante.
Em sentido contrário, a tutela emitiu um comunicado formal onde detalha os motivos que conduziram à saída. O ministério sustenta que o antigo titular do cargo adotou condutas que comprometeram diretamente o funcionamento dos serviços, a articulação institucional e a execução das políticas públicas delineadas pelo executivo, destacando episódios classificados como de particular gravidade.
De acordo com a mesma nota oficial, registou-se ao longo dos últimos meses uma postura permanente de confronto por parte do ex-secretário-geral. O ministério sublinha que o responsável tentou por diversos meios prejudicar a operação do SIRESP, o único sistema de comunicações de emergência do Estado, numa altura especialmente sensível para a segurança pública.
O documento adianta ainda que, em plena época de fogos florestais, a tutela extinguiu o Centro de Operações e Gestão do SIRESP — descrito como o centro nevrálgico da rede de comunicações de emergência — sem o consentimento da tutela e sem apresentar quaisquer soluções alternativas viáveis. A situação exigiu a intervenção urgente da Guarda Nacional Republicana e da Polícia de Segurança Pública para garantir a continuidade operacional do sistema.
Para o lugar deixado em aberto, o Governo nomeou o major-general Nuno Parreira da Silva como o novo secretário-geral da Administração Interna.









