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Home Economia

Decisão do Reino Unido “não é correta nem objetiva” e causa “uma sensação de injustiça”

Redação O Tablóide Por Redação O Tablóide
11 de setembro de 2020
Reading Time: 4 mins read
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Rodrigo Antunes, José Sena Goulão / Lusa

Pedro Siza Vieira, Marcelo Rebelo de Sousa

O ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, defendeu esta quinta-feira que a saída de Portugal da lista de países seguros do Reino Unido não é correta, nem fundamentada por razões objetivas. O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considera que a decisão causa “uma sensação de injustiça”.

“Não é uma decisão correta, que seja fundamentada por razões objetivas de controlo da doença. O Reino Unido não cumpre o critério que definiu para a quarentena dos visitantes”, afirmou Pedro Siza Vieira, que falava aos jornalistas à margem da inauguração da nova sede da Auchan Retail Portugal, em Paço de Arcos, distrito de Lisboa.

O ministro da Economia lembrou por outro lado que a União Europeia definiu que os países não devem aplicar “restrições à circulação” dos cidadãos dentro do espaço europeu.

Siza Vieira salientou ainda que os operadores económicos e turísticos vão ter um ano ainda mais difícil na sequência desta decisão. “Para os cidadãos britânicos, também não tem qualquer fundamento. Uma pessoa que possa estar em férias em Portugal ou em negócios, de repente é confrontado com esta decisão”, exemplificou.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reagiu por sua vez à decisão do Governo britânico de voltar a excluir Portugal continental do chamado corredor aéreo declarando que causa “uma sensação de injustiça“.

Em resposta a questões dos jornalistas, no final da inauguração da nova sede da empresa Auchan Retail Portugal, em Paço de Arcos, no concelho de Oeiras, o chefe de Estado apontou o Algarve, em particular, como sendo “injustamente punido por esta decisão“.

“Mas temos de continuar, olhar em frente. O que é preciso nestas situações críticas – e eu vou ter reuniões esta semana com a hotelaria – é resiliência, resistência”, acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa.

O Governo britânico retirou Portugal da lista de países seguros, com exceção das regiões da Madeira e Açores, e a partir de sábado obriga a cumprir uma quarentena de duas semanas ao chegar ao Reino Unido, foi hoje anunciado.

“Através de informação aperfeiçoada, temos a capacidade de avaliar ilhas separadas dos seus países continentais. Se chegar a Inglaterra vindo dos Açores ou Madeira, não precisará de se isolar por 14 dias”, escreveu o ministro dos Transportes, Grant Shapps, na rede social Twitter.

Data shows we need to remove PORTUGAL (minus the AZORES and MADEIRA), HUNGARY, FRENCH POLYNESIA and REUNION from the Travel Corridor list to keep everyone safe. If you arrive in England from these destinations after 4am Saturday, you will need to self-isolate for 14 days.

— Rt Hon Grant Shapps MP (@grantshapps) September 10, 2020

De acordo com o ministro, a medida, que também afeta a Hungria, Polinésia Francesa e ilha da Reunião, entra em vigor às 04:00 de sábado em Inglaterra. Grant Shapps acrescentou que a Suécia vai passar a estar isenta de quarentena.

A Escócia já tinha excluído Portugal da sua lista de “corredores internacionais” a partir de 05 de setembro, enquanto que o País de Gales aplicou restrições um dia antes, mas manteve a Madeira e Açores isentos de quarentena.

Portugal só foi incluído na lista dos países com “corredores de viagem” com o Reino Unido há três semanas, em 20 de agosto, porém o aumento contínuo do número de casos de infeção em Portugal terá pesado na decisão, que era esperada na semana passada, quando ultrapassou o nível de 20 casos por 100 mil habitantes. Na altura, Shapps alegou que não excluiu Portugal devido à “taxa de positividade” em declínio.

Portugal contabiliza pelo menos 1.852 mortos associados à covid-19 em 62.126 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS). O índice de transmissibilidade efetivo (Rt) encontra-se atualmente nos 1,12, um valor considerado de risco.

A situação epidemiológica de covid-19 em Portugal agravou-se desde meados de agosto, de acordo com um estudo da Direção-Geral da Saúde (DGS) e Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), tendo sido registadas 3.909 novas infeções entre 17 e 30 de agosto.


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