No dia 28 de abril de 2025, Portugal mergulhou de repente no escuro. O apagão ibérico deixou o país sem eletricidade durante várias horas, lembrando quão frágil é a base sobre a qual assenta o nosso quotidiano. Sem semáforos, comunicações, abastecimento de água ou garantias de funcionamento hospitalar, a vida moderna mostrou-se vulnerável como há muito não se via.
Apesar do susto, o país evitou o caos. Mas o episódio deixou claro algo fundamental: a energia não é apenas um setor estratégico, é literalmente vital para a vida em sociedade. Da competitividade das indústrias à produtividade nacional, passando pelos salários e pelo custo de vida, tudo depende do preço e da disponibilidade da eletricidade.
Poucos dias depois, outra notícia reacendeu a polémica: Portugal voltou a importar energia de Espanha por ser mais barata. A questão impôs-se: como pode um país com o mesmo sol, o mesmo vento e uma forte capacidade hidroelétrica pagar tanto mais pela sua eletricidade?
As dúvidas multiplicam-se. Terá o encerramento precoce das centrais a carvão encarecido o sistema e comprometido a segurança energética? Será a ausência de energia nuclear um fator determinante?
O Professor Clemente Pedro Nunes, que aponta para uma combinação perigosa: incompetência política, interesses ocultos e suspeitas de corrupção. Segundo ele, a raiz do problema remonta aos governos de José Sócrates e aos controversos contratos Feed-in Tariff (FiT), que garantiram preços fixos a produtores de energia renovável, muitas vezes em condições ruinosas para o Estado.
Esses contratos — alguns válidos até 2036 — obrigam Portugal a comprar energia a preços muito acima do valor de mercado, mesmo quando não há necessidade. Resultado: uma pesada conta que recai sobre os consumidores através do chamado “défice tarifário”, hoje estimado em 2 mil milhões de euros. Para comparação, o novo Hospital Central do Alentejo custará pouco mais de 200 milhões de euros.
O apagão foi um alerta. Mas o verdadeiro problema, como se percebe, não está apenas na interrupção pontual do fornecimento — e sim numa política energética que se tornou, nas palavras do professor, “uma calamidade a passo lento”.











