O Chefe de Estado iniciou esta quinta-feira a sua deslocação oficial à Alemanha com uma paragem numa livraria em Berlim, onde comprou um volume que especula sobre uma eventual conquista da Rússia na guerra da Ucrânia — cenário que considerou improvável.
Marcelo Rebelo de Sousa chegou à capital alemã por volta das 16h30, dirigindo-se a um hotel no centro da cidade. Pouco depois, fez uma caminhada acompanhado pela embaixadora portuguesa, Madalena Fischer.
Durante a conversa, Marcelo recordou a sua primeira ida a Berlim, em outubro de 1974, meses após a Revolução de Abril, quando a cidade ainda estava cercada pela RDA. “Era uma atmosfera intensa, quase de clausura”, disse, lembrando os contatos que teve com figuras políticas e sociais da época.
Já dentro da livraria, o Presidente pegou de imediato num título do politólogo Carlo Masala: “Se a Rússia vencer: um cenário”. A obra descreve uma suposta ofensiva russa em Narva e na ilha de Hiiuma, no ano de 2028, resultado da falta de rearmamento europeu após o conflito na Ucrânia.
Questionado sobre a escolha, Marcelo explicou que quis conhecer a perspetiva alemã sobre esse risco. “É um tema atual, mas espero que nunca se concretize. Só é implausível se fizermos tudo para que continue a ser implausível”, afirmou.
Além desse exemplar, o Presidente levou outros títulos relacionados com política internacional, incluindo um sobre a “morte das democracias” e outro sobre a situação interna alemã, com referência ao chanceler Friedrich Merz, à dirigente da AfD Alice Weidel e ao presidente norte-americano Donald Trump.
Marcelo destacou ainda a relevância da Alemanha para a economia portuguesa, lembrando exemplos de cooperação industrial como a fábrica da Autoeuropa.










