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Home Ciência

Estudo sugere que coronavírus pode “viver” nos sapatos e transmitir-se até 4 metros de distância

Redação O Tablóide Por Redação O Tablóide
14 de Abril de 2020
Reading Time: 4 mins read
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Giuseppe Lami / EPA

Um novo estudo feito num Hospital de Wuhan, na China, concluiu que o coronavírus paira no ar em zonas onde estiveram pacientes e que pode haver riscos de infecção até 4 metros de distância. Além disso, o coronavírus foi encontrado nas solas dos sapatos de profissionais de saúde.

A investigação publicada pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDCP na sigla original em Inglês) foi levada a cabo entre 19 de Fevereiro e 2 de Março de 2020 no Hospital Huoshenshan em Wuhan, na China, a cidade onde começou o surto de Covid-19.

Os investigadores testaram “amostras do ar e das superfícies” da Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) e de uma ala geral com pacientes de Covid-19. Concluíram que o coronavírus encontrava-se “amplamente distribuído no chão, nos ratos de computadores, nos baldes de lixo e nos corrimãos”, conforme indicam no estudo.

O vírus SARS-CoV-2 foi ainda “detectado no ar a 4 metros dos pacientes”, o que indicia que a transmissão pode ocorrer a essa distância.

Os investigadores explicam que foram recolhidas “amostras de zaragatoa” de “objectos potencialmente contaminados”, bem como amostras do “ar interior” e de “saídas de ar para detectar a exposição ao aerossol” do vírus. As principais vias de transmissão do SARS-CoV-2 são “as gotículas respiratórias e o contacto próximo“, lembram os autores do estudo.

As conclusões obtidas indicam que “a taxa de positividade foi relativamente alta para as amostras do chão”, com destaque para a UCI onde foi de 70% contra apenas 15,4% da ala geral. “A gravidade e o fluxo de ar” podem ter levado a que “a maioria das gotículas do vírus” caíssem até ao chão, explicam os investigadores.

“À medida que o staff médico caminhava na ala, o vírus pode ser encontrado por todo o chão, como indica a taxa de 100% de positividade no chão na farmácia, onde não havia pacientes”, referem ainda, notando que “todas as amostras das solas dos sapatos do pessoal médico da UCI testaram positivo”.

“As solas do pessoal médico podem funcionar como transportadores” do coronavírus, referem os cientistas, destacando também “os resultados positivos de três semanas do chão do balneário” usado pelo pessoal médico.

Assim, deixam a recomendação de que “as pessoas desinfectem as solas dos sapatos antes de saírem de alas contendo pacientes de Covid-19″.

Foi também encontrada “uma taxa de positividade relativamente alta para as superfícies dos objectos frequentemente tocadas pelo staff médico ou pacientes”. As taxas mais elevadas foram detectadas nos ratos do computador (75% na UCI e 20% na ala geral), seguindo-se os baldes de lixo (60% na UCI) e os corrimãos (42,9% na UCI).

O estudo evidencia ainda “resultados positivos esporádicos” nas “mangas e luvas do pessoal médico”, o que sugere que os profissionais de saúde devem ter práticas de higiene “imediatamente depois do contacto com o paciente”.

Também houve uma alta taxa de positividade nas máscaras dos pacientes, como seria de esperar, pelo que se deve “desinfectar adequadamente essas máscaras antes de as descartar”, recomendam os investigadores.

“Distância de transmissão pode ser de 4 metros”

A pesquisa ainda conclui que a “exposição aos aerossóis de SARS-CoV-2 implica riscos” e que a “distância de transmissão pode ser de 4 metros”.

“Os aerossóis carregados de vírus estavam principalmente concentrados próximo e a jusante dos pacientes”, “mas o risco de exposição também estava presente na área a montante”, sublinham os autores do estudo.

“A área de maior risco era a de tratamento e cuidado do paciente, onde a taxa de positividade foi de 40.6%”, enquanto “a área de menor risco foi a do consultório do médico, onde a taxa de positividade foi de 12.5%”.

Também foi detectada a presença do vírus “no ar e em superfícies de objectos, tanto na UCI como na ala geral”, o que representa “um potencial de grande risco de infecção” para os profissionais de saúde.

Perante isto, os cientistas consideram que o isolamento em casa de pessoas com Covid-19 pode “não ser uma boa estratégia de controlo”, já que pode haver riscos do aparecimento de “clusters familiares de infecção”. Como exemplo apontam que a China isolou todos os pacientes, mesmo os menos graves, de modo a que recebessem cuidados de profissional médico, o que lhe terá permitido controlar o surto de forma mais rápida.

Os autores da pesquisa alertam, contudo, que a investigação tem “duas limitações”. Por um lado, “os resultados do teste de ácido nucleico não indicam a quantidade de vírus viáveis” e, por outro, “para a dose infecciosa mínima desconhecida, a distância de transmissão do aerossol não pode ser estritamente determinada”. Isto implica que mais estudos são necessários para retirar conclusões definitivas.

De qualquer modo, o estudo reforça a importância de “melhorar as práticas de segurança para o pessoal médico”, especialmente quando se trabalha nas UCI.

SV, ZAP //

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