Milão, Itália – O universo do desporto acordou esta sexta-feira sob um pesado manto de silêncio. Milão chora a perda de uma das suas maiores lendas: Franco Baresi, o eterno capitão do AC Milan, faleceu aos 66 anos. A notícia foi confirmada pelo clube de San Siro, que optou por não especificar as causas clínicas do óbito, respeitando a privacidade de um momento que apanhou adeptos e figuras públicas totalmente desprevenidos. O antigo defesa, que tinha completado mais um ano de vida no passado dia 8 de maio, deixa um legado que vai muito além das quatro linhas.
A instituição rossonera reagiu de imediato, descrevendo a partida como um choque profundo para a identidade do clube. O comunicado oficial destaca como a trajetória de Baresi se fundiu, de forma irreversível, com a história do emblema. O número 6, que o jogador carregou ao peito durante quase duas décadas, não é apenas um algarismo no historial do Milan; é, na verdade, uma marca enraizada no ADN da equipa, funcionando como uma bússola para as gerações futuras que tentam emular a sua grandeza.
Nos últimos anos, a saúde do antigo internacional italiano foi um tema recorrente nas páginas da imprensa desportiva. Em 2025, o atleta enfrentou um desafio médico severo ao ser submetido a uma cirurgia para a extração de um nódulo pulmonar. Contudo, o início de 2026 trouxe um vislumbre de esperança e vitalidade, quando Baresi reapareceu com grande simbolismo perante o mundo: foi um dos eleitos para carregar a chama olímpica na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina.
A história de Baresi com a camisola milanesa começou de forma precoce, ainda em 1974, com apenas 14 anos, quando entrou nas camadas de formação. Foi sob a alçada técnica de Nils Liedholm que deu o salto para o futebol profissional, estreando-se a 23 de abril de 1978, numa vitória por 2-1 sobre o Verona. A ascensão foi vertiginosa: aos 22 anos, já detinha a braçadeira de capitão, uma posição de liderança que nunca mais largou até pendurar as botas.
O currículo que deixa para trás é de uma densidade rara. Em 719 jogos oficiais ao serviço do AC Milan, ergueu seis troféus da Serie A, três Taças dos Campeões Europeus, duas Taças Intercontinentais, além de quatro Supertaças de Itália e três Supertaças Europeias. Tamanha foi a reverência demonstrada pela direção do clube que, quando se retirou em 1997, a camisola número 6 foi permanentemente retirada, num gesto de consagração absoluta.
Às portas do seu país, somou 81 internacionalizações. Embora não tenha somado minutos na campanha vitoriosa do Mundial de 1982, em Espanha, o seu nome ficou imortalizado pela resiliência no torneio de 1994, nos Estados Unidos. Após uma recuperação milagrosa de uma lesão grave no joelho, Baresi foi titular na final contra o Brasil. O jogo, que terminou sem golos, resolveu-se apenas nas grandes penalidades, premiando a canarinha, mas garantindo a imortalidade desportiva daquele que foi, sem qualquer dúvida, o bastião da defesa transalpina.











