Marvão, Portugal – Numa altura em que o debate político em torno do Governo se adensa, o Presidente da República, António José Seguro, quebrou esta sexta-feira, 31 de julho, o silêncio sobre a situação do ministro da Administração Interna. Durante uma deslocação oficial a Marvão, no distrito de Portalegre, o chefe de Estado exigiu rapidez no inquérito que envolve Luís Neves, associando a celeridade da justiça à própria sobrevivência da credibilidade democrática.
O aviso foi feito logo após o Presidente ter sido recebido nos Paços do Concelho pelo líder da autarquia local. Confrontado com a pressão das últimas semanas sobre a tutela da Administração Interna, António José Seguro fez uma defesa intransigente do prestígio das funções públicas. Para o chefe de Estado, a condução do processo por parte da Procuradoria-Geral da República deve ser o mais breve possível, permitindo um cabal apuramento de responsabilidades e evitando o desgaste contínuo do Executivo.
“O senhor primeiro-ministro conhece a minha opinião e as minhas posições sobre todas estas situações”, sublinhou o chefe de Estado aos jornalistas, salvaguardando a reserva dos contactos bilaterais que mantém com a chefia do Governo. Ainda assim, a mensagem pública foi clara e direta, apontando para os deveres constitucionais de quem governa e representa o país: “Todos temos responsabilidades, no âmbito das competências que a Constituição atribui aos órgãos de soberania, de preservar a dignidade das nossas instituições e os valores que fazem a nossa democracia e o nosso Estado de Direito Democrático.”
Esta tomada de posição pública traduz uma mudança de atitude por parte de Belém. A 17 de julho, numa fase mais precoce da crise política, o Presidente da República tinha optado por uma postura de contenção, limitando-se a referir que acompanhava a situação com atenção redobrada, prometendo falar apenas no momento certo e no local adequado. Esse momento parece ter chegado agora, no norte alentejano.










