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Home Editorias Ciência

Gene Neandertal pode tornar algumas pessoas mais sensíveis à dor

Redação O Tablóide Por Redação O Tablóide
28 de julho de 2020
Reading Time: 2 mins read
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Erich Ferdinand / Flickr (OD)

O Homem do Neandertal

Um novo estudo concluiu que pessoas que herdaram determinadas mutações genéticas dos Neandertais tendem a sentir mais dor.

De acordo com a revista Nature, geneticistas descobriram que os Neandertais carregavam três mutações no gene SCN9A que alterava o formato da proteína NaV1.7, que transmite sensações dolorosas à medula espinal e ao cérebro.

Para perceber como é que estas mutações podem ter alterado os nervos destes humanos ancestrais, a equipa de cientistas colocou a sua versão da NaV1.7 em ovos de sapos e células renais humanas.

A proteína foi mais ativa nas células com todas as três mutações do que nas células sem as alterações. Nas fibras nervosas, isso reduziria o limiar para transmitir um sinal doloroso, explica Hugo Zeberg, investigador do Instituto Karolinska e um dos autores do estudo publicado, a 23 de julho, na revista científica Current Biology.

De seguida, a equipa procurou por humanos com a versão Neandertal do NaV1.7. Cerca de 0,4% das pessoas de um banco de dados britânico, composto por meio milhão de participantes, tinham uma cópia desta versão modificada do gene. Estes participantes tiveram cerca de 7% mais probabilidade de relatar dor, acrescenta a mesma publicação.

Os investigadores alertam que estas descobertas não significam necessariamente que os Neandertais sentiriam mais dor do que os humanos modernos. As sensações transmitidas pelo NaV1.7 são processadas e modificadas na medula espinal e no cérebro, o que também contribui para a experiência subjetiva da dor.

As populações Neandertais eram pequenas e tinham baixa diversidade genética – condições que podem ajudar mutações prejudiciais a prolongar-se. Mas Svante Pääbo, investigador do Instituto Max Planck e outro dos autores do estudo, considera que a mudança seria como um produto da seleção natural.

Por isso, o cientista planeia sequenciar os genomas de cerca de uma centena de Neandertais, o que poderia ajudar a dar respostas. Em todo o caso, destaca, “a dor é algo adaptável”. “Não é especificamente mau sentir dor”, conclui.


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