Porto, Portugal – O impacto da greve convocada pelo CENA-STE fez-se sentir esta tarde nos palcos nacionais, obrigando ao cancelamento de várias iniciativas culturais. No Grande Porto, o Festival Internacional de Marionetas do Porto (FIMP) foi um dos palcos da paralisação, resultando na anulação das sessões do espetáculo “ERMA”, de Catarina Falcão, no Teatro do Campo Alegre. A exposição “Eish K’A Medo!” também viu a sua visita guiada ser retirada da agenda.
A instabilidade nos horários permanece, com as equipas a gerirem os cancelamentos à medida que os novos turnos de trabalho são comunicados. Igor Gandra, diretor do FIMP, descreveu o momento como uma contradição de difícil gestão. Enquanto se encontrava a lecionar um workshop no Teatro Nacional São João este sábado, o responsável admitiu sentir-se solidário com as reivindicações dos trabalhadores, embora reconheça a responsabilidade crítica que detém perante os artistas acolhidos no festival.
Nem todas as peças foram afetadas. Por enquanto, a organização mantém em cena “Nocturne”, da Cie Non Nova, e “Se fosse um filme”, de Macarena Recuerda Sheperd, no Teatro Rivoli, assim como “Transport: Connecting Flights”, que decorre no Teatro Constantino Nery, em Matosinhos.
A situação estende-se a Lisboa, onde o Teatro São Luiz confirmou o cancelamento das sessões programadas para este sábado, 17 de outubro. Ficaram sem efeito as apresentações de “O Mal na Raiz”, de Guilherme Gomes, marcada para as 19h na sala Bernardo Sassetti, e de “Isto não acaba aqui”, de Pablo Fidalgo, prevista para as 20h no subpalco da instituição.
Esta vaga de contestação alinha-se com a política reivindicativa da CGTP-IN para 2027. O sindicato exige um aumento salarial transversal de 15%, com um incremento mínimo de 150 euros a partir de janeiro, além da subida do salário mínimo nacional dos atuais 920 euros para 1100 euros.










