Amadora, Portugal – Às 9h40 deste sábado, quem chegava ao Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca, no concelho da Amadora, encontrava um cenário de saturação previsível mas ainda assim crítico. Os 23 utentes classificados com pulseira amarela — que indica uma situação urgente — enfrentavam um tempo de espera de cinco horas e 59 minutos até serem observados por um clínico.
Esta unidade hospitalar, que serve uma vasta região onde cerca de 240 mil habitantes não têm médico de família atribuído, destacou-se como a de maior espera no país logo no início da manhã. A escassez de recursos humanos, aliada a uma pressão assistencial contínua, tem impedido o normal funcionamento do serviço. O próprio diretor-executivo do Serviço Nacional de Saúde, Álvaro Almeida, admitiu recentemente que as fragilidades estruturais do hospital não encontrarão uma solução célere.
A situação de sobrecarga estende-se por outras regiões. No Algarve, o Hospital de Portimão registava, dez minutos depois, quase cinco horas de espera para casos da mesma gravidade. O panorama era ligeiramente mais moderado noutros pontos do país: no Hospital Garcia de Orta, em Almada, bem como na ULS Santa Maria e no Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, o tempo médio para ser atendido com pulseira amarela rondava as duas horas.
As normas de triagem em vigor estabelecem critérios temporais bem definidos para a qualidade do serviço. Em teoria, uma pulseira amarela não deveria resultar numa espera superior a 60 minutos, enquanto os casos classificados como muito urgentes, identificados pela cor laranja, deveriam ser avaliados num intervalo máximo de dez minutos. Para os doentes com pulseira verde, considerados pouco urgentes, o tempo limite recomendado situa-se nas duas horas.
Perante este bloqueio, os enfermeiros da unidade da Amadora-Sintra optaram por entregar declarações de escusa de responsabilidade, sinalizando a dificuldade em garantir a segurança dos utentes face às condições atuais. O problema não é novo, mas a persistência do atraso coloca, novamente, a gestão da urgência hospitalar sob foco intenso.








