Lisboa, Portugal – Pouco depois das 17h de uma tarde marcada pela contestação social, milhares de pessoas marcharam pelo centro de Lisboa para reivindicar o direito à habitação. A coluna humana partiu do Largo Camões, passou pelo Largo do Chiado, contornou a zona das esplanadas e entrou na Rua Garrett, com destino final na Praça do Rossio. A iniciativa aconteceu exatamente uma semana após outra grande concentração que tinha mobilizado a Avenida da Liberdade.
A tensão política instalou-se no terreno com exigências diretas ao executivo. Representantes do PCP e do Livre marcaram presença na marcha e impuseram condições estritas para qualquer futuro diálogo com o Governo. O Partido Comunista Português defendeu que a prioridade passa por retirar de imediato o processo legislativo que altera a lei das rendas, atualmente em discussão na especialidade na Assembleia da República, apelidando a iniciativa de lei dos despejos.
Na mesma linha, a líder parlamentar do Livre, Isabel Mendes Lopes, apontou o dedo à postura governamental, acusando o executivo de promover um diálogo inexistente na prática. A deputada frisou que o ponto de partida para qualquer negociação exige a anulação da atual lei do arrendamento, sublinhando que só após essa revogação será possível debater medidas eficazes para aumentar a oferta habitacional no país.
O protesto desta vez traz também na agenda a preparação de uma nova noite de acampada no Rossio, com a montagem de tendas. Feijó, um dos porta-voz da Acampada de Lisboa, confirmou a intenção de manter a ocupação, mesmo sabendo que a PSP reiterou ordens para não permitir a permanência das estruturas para além da hora autorizada. A resistência a eventuais ordens de dispersão dependerá da vontade dos cidadãos presentes.
Sobre a possibilidade de uma intervenção policial para remover os manifestantes, Isabel Mendes Lopes admitiu que o receio existe, mas classificou qualquer uso de força como inaceitável num contexto de protestos democráticos. A parlamentar garantiu ainda que pondera levar novamente o assunto ao Presidente da República, reforçando que a resolução de uma crise habitacional real exige respostas políticas e não o recurso à autoridade policial.







