José Luís Carneiro não escondeu o incómodo ao ser confrontado sobre um eventual apoio à proposta do Chega para a redução do IVA dos combustíveis. O socialista recusa a premissa de que o seu partido tenha chegado atrasado a esta discussão, sustentando que foram os deputados do PS os primeiros a formalizar iniciativas legislativas com este propósito na Assembleia da República.
O desafio aos jornalistas foi direto: verificar os registos parlamentares para confirmar quem tomou a dianteira. Para Carneiro, a pergunta correta a colocar no hemiciclo deveria ser invertida. Questiona, por isso, se será o Chega a estar disponível para votar favoravelmente as propostas socialistas, em vez de se colocar o PS na posição de quem segue a agenda alheia.
O antigo governante recordou que, logo após o início do conflito no Médio Oriente, defendeu a necessidade de uma estratégia integrada para mitigar o impacto dos preços da energia — eletricidade, gás e combustíveis — bem como dos bens alimentares e dos encargos com o crédito à habitação. Na altura, garante, o Governo desvalorizou os alertas, mas o tempo veio validar o diagnóstico feito pelo PS.
O cenário atual é de bloqueio. Carneiro sublinha que diversas propostas apresentadas pela bancada socialista foram chumbadas pela convergência de votos da AD, do Chega e da Iniciativa Liberal. Esta resistência levou o PS a solicitar a marcação de um debate de urgência, agendado para a próxima sexta-feira, focado exclusivamente no aumento do custo de vida.
Para o deputado, quem opta por apresentar propostas paralelas acaba por aliviar a pressão sobre o executivo. Considera que tais manobras servem como uma via de escape, permitindo ao Governo esconder a sua incapacidade em responder aos problemas estruturais que afetam o quotidiano das famílias portuguesas.









