Moscou, Rússia – Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin, insistiu esta semana que a concretização de um acordo de paz permanece nas mãos de Kiev. A exigência russa mantém-se inalterada: qualquer entendimento terá de refletir a realidade no terreno, onde Moscovo reivindica avanços contínuos. A narrativa oficial contrasta, contudo, com os dados de observadores internacionais. O Institute for the Study of War, sediado em Washington, desmente a captura da localidade de Sviatohirsk, em Donetsk, sublinhando que as tropas russas estão atualmente mais afastadas do objetivo do que estavam no início do verão.
O xadrez diplomático intensificou-se após a passagem de emissários norte-americanos por Moscovo e Kiev. A proposta levada a Volodimir Zelensky sugere uma desescalada focada em setores estratégicos, incluindo energia, cereais, eletricidade, petróleo e gás. Steve Witkoff, um dos enviados dos Estados Unidos, sinalizou progressos substanciais após o périplo. Zelensky, por sua vez, prepara um encontro com o homólogo norte-americano para o final de setembro, à margem da Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque.
A tensão militar, porém, atropela as tentativas de diálogo. Findo o curto período de pausa acordado para a diplomacia, a Rússia desencadeou um ataque noturno massivo contra Kiev. O balanço incluiu o uso de mísseis balísticos, de cruzeiro e cerca de 166 drones, atingindo infraestruturas civis como escolas, clínicas e edifícios habitacionais. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Andrii Sybiha, foi incisivo ao comentar o impacto da ofensiva: os mísseis balísticos russos comunicam uma intenção oposta à diplomacia verbalizada por Moscovo.
A degradação do conflito estendeu-se durante a tarde de terça-feira a instalações de comunicação social, atingindo os canais We Are Ukraine e We Are Ukraine+. Em resposta, a Ucrânia direcionou as suas forças contra território russo, provocando um incêndio na refinaria de Saratov, o que poderá impactar o abastecimento interno do agressor.
Enquanto o Kremlin projeta planos de ocupação total de Donetsk — com desentendimentos internos sobre prazos que oscilam entre o final de 2024 e março de 2027 —, Zelensky sugere uma motivação pragmática por trás da postura de Putin: o desejo de evitar provocar Donald Trump durante o período eleitoral nos Estados Unidos.







