Cisjordânia, Palestina – Portugal encontra-se entre os 12 países que anunciaram a intenção de aplicar sanções ou apoiar medidas europeias contra a expansão dos colonatos na Cisjordânia. Esta posição conjunta surge num cenário de degradação acelerada do território palestiniano, onde as ações do governo de Israel são agora vistas como um entrave direto à viabilidade de uma solução de dois Estados.
A ofensiva diplomática ganha força num período marcado por episódios recorrentes de violência de colonos contra populações palestinianas, atos que têm sido alvo de censura internacional por violarem o direito internacional. O grupo de ministros dos Negócios Estrangeiros exige o fim imediato da expansão dos colonatos e uma investigação rigorosa à conduta das forças israelitas, apelando ainda à responsabilização pelos ataques perpetrados.
No Parlamento britânico, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Ed Miliband, foi mais longe. Ao anunciar a proibição da importação de produtos provenientes de colonatos ilegais, utilizou o termo “limpeza étnica” para descrever a atuação dos colonos e a postura do governo de Benjamin Netanyahu. A medida estende-se a empresas que facilitem o financiamento, construção ou infraestruturas nestas áreas. Do lado francês, o ministro Jean-Noel Barrot confirmou que a França irá seguir um caminho semelhante, encerrando o comércio com estas localidades.
A reação em Israel foi imediata e de forte contestação. O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, classificou a decisão britânica como um ato de “discriminação” contra o povo judeu. Já o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, chegou a sugerir a expulsão do embaixador do Reino Unido. Ignorando a pressão externa crescente, Benjamin Netanyahu reafirmou o seu compromisso com o projeto de colonização, prometendo incentivar uma nova vaga migratória para a região.
Atualmente, cerca de 500 mil israelitas habitam em colonatos na Cisjordânia, território onde vivem perto de três milhões de palestinianos. A tensão entre os dois grupos atingiu níveis críticos, com relatos de invasões a aldeias e mortes de civis a intensificarem um conflito que, apesar de algumas condenações isoladas até por parte de Netanyahu, continua a expandir-se no terreno.







