Matosinhos (PT) – A narrativa em torno da alegada existência de fronteiras abertas não passa de uma construção política intencional, segundo José Luís Carneiro. O antigo ministro da Administração Interna aproveitou o alerta recente da Polícia de Segurança Pública (PSP) para rotular de falácia a retórica adotada por setores da direita, sublinhando que a realidade dos fluxos migratórios é distinta do que tem sido propagado pelo atual arco governativo.
À margem de um encontro com associações empresariais em Matosinhos, o dirigente socialista reagiu às declarações do diretor nacional adjunto da PSP e responsável pela Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF). Este comando policial reportou um aumento da chegada de imigrantes em situação irregular às áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, utilizando ligações de comboio e autocarro a partir de outros pontos da Europa. Para Carneiro, este reconhecimento técnico é a prova de que a ideia de fronteiras escancaradas, alimentada pela direita com apoio da extrema-direita, carece de fundamento factual.
O antigo governante espera que estes dados obriguem a uma revisão das posições tomadas. “Espero que esta pista sirva para que aqueles que têm feito declarações levianas possam, de uma vez por todas, perceber o que se passa”, afirmou, defendendo a necessidade de desconstruir aquela que classifica como uma mistificação política.
Na sua intervenção, Carneiro recordou a sua passagem pela tutela da Administração Interna para demonstrar que o fenómeno não é recente nem desconhecido. O socialista revelou que, durante a Jornada Mundial da Juventude, já tinha detetado estes movimentos secundários de migrantes que chegam a Portugal por via terrestre, provenientes de outros Estados-membros. Na altura, emitiu orientações específicas ao Sistema de Segurança Interna para intensificar o controlo operacional nas estradas, assegurado pela GNR. “É evidente que os fluxos chegam ao país provenientes de outros países europeus”, rematou, reforçando que a resposta exige rigor técnico e não o aproveitamento ideológico que, a seu ver, tem marcado o debate público nacional.









