As contradições entre a versão prestada pelo Ministro da Administração Interna e as respostas oficiais da Ministra da Justiça deixaram o parlamento sem respostas claras. Perante aquilo que considera um “encobrimento político”, a bancada do Chega formalizou, na noite desta quarta-feira, dia 9, um pedido de audição urgente do diretor nacional da Polícia Judiciária.
Em causa estão as discrepâncias quanto ao destino e aos custos de destruição dos resíduos químicos apreendidos na “Operação Pacoba”. Na terça-feira, o ministro Luís Neves — que chefiava a PJ à data da ação policial — explicou aos deputados que os bidões com produtos perigosos ficaram depositados nas instalações da Construbarcelos porque a eliminação do material custaria cerca de 150 mil euros, um valor que dizia respeito apenas a essa operação.
Contudo, a documentação enviada pela tutela da Justiça à Assembleia da República aponta num sentido diferente. As respostas da ministra Rita Alarcão Júdice indicavam um orçamento da empresa Ambimed na ordem dos 144.456 euros mais IVA — perfazendo 177.444 euros —, especificando que o montante cobria mais resíduos do que os recolhidos naquela intervenção em concreto. Questionada no parlamento esta quarta-feira, a governante recusou ter faltado à verdade, alegando que se limitou a reencaminhar a informação formalmente disponibilizada pela própria PJ.
Esclarecimentos exigidos à direção da PJ
Inconformado com as justificações, o partido entregou o requerimento assinado pela deputada Cristina Rodrigues à presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, Paula Cardoso. No documento, a força política sustenta que um dos governantes mentiu e defende que cabe agora ao líder máximo da instituição policial esclarecer a cronologia exata dos factos, o teor real das propostas orçamentais e as instruções que ditaram o armazenamento provisório do material nocivo.










