Lisboa, Portugal – O ambiente político aqueceu esta quarta-feira, 9 de setembro, após as declarações de Luís Montenegro no Parlamento. João Torres, vice-presidente da bancada do Partido Socialista, não poupou críticas às medidas anunciadas pelo primeiro-ministro durante o debate da moção de censura, classificando o suplemento extraordinário para pensões e a quinta redução do IRS sob a atual governação como um mero bónus pontual, desenhado para um momento de conveniência política.
O dirigente socialista contrapôs o histórico do seu partido, garantindo que o executivo de António Costa baixou o IRS com maior frequência e procedeu a seis aumentos extraordinários das pensões mais baixas. Para Torres, o Governo PSD/CDS-PP está a ignorar o aumento brutal do custo de vida. O deputado insistiu ainda na necessidade de reduzir o IVA de 23% para 13% em bens alimentares e combustíveis, lembrando que, em 2022, o atual ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, e o próprio Montenegro chegaram a sugerir cortes ainda mais profundos nesta taxa.
A resposta do PSD surgiu pela voz de Andreia Neto. A vice-presidente da bancada social-democrata rebateu as dúvidas sobre a viabilidade financeira destas decisões — que custarão cerca de 800 milhões de euros — assegurando que a margem orçamental existe graças ao rigor das contas públicas. Segundo a deputada, o crescimento económico e a robustez do mercado de trabalho permitem conciliar a responsabilidade orçamental com a justiça social, servindo o Estado como um mecanismo de resposta às necessidades reais da população.
Do lado da esquerda, a contestação seguiu outros caminhos. Isabel Mendes Lopes, do Livre, questionou a eficácia das medidas temporárias, alertando que a repetição de alívios no ISP consome recursos públicos sem resolver a dependência estrutural dos combustíveis, focando o olhar nos lucros das petrolíferas. Esta posição foi acompanhada pelo Bloco de Esquerda, através de Andreia Galvão, que desafiou a narrativa de crescimento económico do Governo. Para os bloquistas, a expansão da economia não se traduz, automaticamente, numa melhoria na qualidade de vida das pessoas que trabalham em Portugal, questionando assim a utilidade concreta deste crescimento para o cidadão comum.










