O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou esta quarta-feira, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, que “não há portugueses puros, há portugueses diversos na sua riqueza cultural”, numa intervenção que mereceu aplausos do hemiciclo. A declaração marcou a sessão solene que assinalou os 40 anos da entrada de Portugal na então Comunidade Económica Europeia (CEE), hoje União Europeia.
Esta foi uma das últimas grandes cerimónias internacionais de Marcelo enquanto chefe de Estado. O Presidente participou ao lado do rei de Espanha, sublinhando que Portugal e Espanha aderiram conjuntamente à CEE, em 1986.
Durante o discurso, Marcelo deixou também mensagens claras sobre política internacional, com recados que atravessaram o Atlântico. Referindo-se aos aliados de Portugal e da União Europeia, começou pelo Reino Unido, afirmando que “preferiríamos que estivesse ainda mais com a União Europeia do muito que está”. De seguida, aludiu aos Estados Unidos: “Preferiríamos que fôssemos sempre aliados a cem por cento e não com hiatos, intermitências ou estados de alma”, numa referência indireta à instabilidade da política externa norte-americana sob a liderança de Donald Trump.
O Presidente defendeu ainda a necessidade de uma reinvenção da Europa, sublinhando que os parceiros internacionais “virão, como sempre vieram, quando entenderem que não há senhores únicos do Globo, nem poderes eternos”.
“As nossas alianças e parcerias valem mais do que a espuma, mesmo sedutora, de cada dia”, concluiu Marcelo Rebelo de Sousa, reforçando a ideia de uma Europa assente em valores duradouros, cooperação e diversidade.










