As conversações entre o PSD e o Chega prolongaram-se pela madrugada adentro e até ao limite das negociações. Luís Montenegro falou por telefone com André Ventura na véspera da votação, durante a noite. No fim, a nova legislação sobre imigração foi aprovada exatamente como o Executivo pretendia.
O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, e o secretário de Estado Adjunto e da Imigração, Rui Armindo de Freitas, começaram a preparar as modificações pontuais à Lei dos Estrangeiros logo no dia seguinte ao veto do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Desde o início, ficou decidido que seriam introduzidas alterações limitadas, de modo a acomodar as reservas levantadas pela maioria dos juízes do Tribunal Constitucional.
Assim, para o Governo e para o PSD, estava completamente descartada a hipótese defendida pelo Chega de procurar um entendimento com a Iniciativa Liberal que pudesse viabilizar a confirmação da lei com as normas consideradas inconstitucionais.
Conforme o jornal Nascer do SOL havia adiantado, as discussões entre PSD e Chega começaram no início de setembro, com prioridade total para a reapreciação da Lei dos Estrangeiros, assim que os trabalhos parlamentares fossem retomados na nova sessão legislativa.
Durante todo o processo, Montenegro e Ventura conversaram apenas uma vez, por telefone, precisamente na véspera da votação da versão revista do diploma no Parlamento.
As negociações entre os grupos parlamentares que dão suporte ao Governo e a principal força da Oposição estenderam-se até ao último momento — inclusive após o anúncio público do Chega, confirmando que viabilizaria as propostas apresentadas pelo Executivo.










