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Home Sociedade

Opinião: Por que alguns ricos e poderosos pensam que são intocáveis?

Redação O Tablóide por Redação O Tablóide
18 de dezembro de 2019
Reading Time: 5 mins read
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Pertencer à lista dos mais ricos do mundo ou fazer parte do alto círculo social é algo para poucos, que galgaram e conquistaram seu lugar à mesa através de caminhos distintos, obtendo destaque perante os demais. A Fama, o dinheiro e o poder, seja ele político, econômico ou de influência, podem virar a cabeça de algumas pessoas e dar a falsa sensação de imunidade total e até mesmo fazer com que se esqueçam da premissa básica da vida humana, de que somos finitos e mortais.

O filósofo Fabiano de Abreu teve sua teoria publicada no grupo Impala sobre o tema, onde destaca alguns dos motivos que levam ricos e poderosos a terem esta falsa sensação de onipotência e de eternidade, com base em seus estudos do comportamento humano e observações empíricas e do cognitivo:

O que detém o poder na sociedade pensa ser um deus

Segundo o filósofo, uma mente dominada pelo ego e vaidade busca se igualar a Deus: “o poder motiva a falsa sensação de eternidade, pois vincula-se a Deus que seria eterno e soberano, o maior de todos os poderosos. Isso é dito porque quanto mais poder e dinheiro a pessoa tem, mais ela acredita que sua posição é uma concessão de Deus. E por isso, mais perto do todo poderoso ela está, portanto, poderoso é! Mas isso tudo é só uma ilusão da sua mente perturbada, dominada pelo ego e pela vaidade extrema”.

Sentir-se um deus pode também ser consequência da consciência de saber que detém o poder financeiro: “muitos ricos vivem como se fossem eternos porque o poder que possuem é tão grande que se sentem um pouco como deuses. Ao saberem e serem conscientes de que são poderosos, se esquecem de sua natureza finita e da verdadeira realidade da vida, que um dia vamos todos morrer”.

Viver pela lei do Mais Forte é um instinto humano

Para Fabiano de Abreu, se sentir superior é uma necessidade e um instinto de muitos de nós, que nos acompanha desde o berço: ”nascemos e crescemos em uma sociedade competitiva, onde é necessário muita luta e esforço para se conquistar um lugar ao sol. Numa sociedade em que para cada profissão há extrema competição e concorrentes para seus postos de trabalho; o melhor e mais bem preparado, vence. A partir destes princípios, a ideia de ter que ser o melhor move o mundo, em meio à competitividade insistente que determina quem detêm o poder. A “lei do mais forte” existe desde a pré-história e ela faz parte da evolução.O problema que gira em torno do poder não é a competitividade em si, mas a necessidade de se sentir superior e de poder controlar a tudo e a todos”.

No cerne do poder está o dinheiro

Seria o amor ao dinheiro a raiz de todos os males? O filósofo esclarece que há mais questões para além do financeiro: “Há um jogo de poder que tem em seu cerne o dinheiro. Quem tem mais riquezas tem maior poder na sociedade. Os bilionários do mundo controlam a economia, os acordos e negociações governamentais mundiais, e determinam o nosso futuro. Os governos do mundo estão nas mãos dos endinheirados e poderosos, que mandam e desmandam nos principais chefes de estado do mundo. Esse poder pode estar na mão dos fortes, dos fracos, dos inteligentes e dos pouco inteligentes, mas sobre tudo, estão nas mãos dos oportunistas.Isto é, aqueles que souberam aproveitar o melhor momento, a sorte, que apostaram em algo certo na hora certa, e se aliaram às pessoas certas”.

A Imortalidade não nos pertence

Fabiano apóia o seu raciocínio ao remontar desde as primeiras civilizações:”nos primórdios, quando as civilizações adoravam vários deuses, todos eles eram poderosos e eternos. Tempos depois, a grande maioria passou a acreditar em um único Deus onipotente que também é eterno. No entanto muitas destas civilizações endeusavam homens, imperadores, reis e grandes vultos do passado. Não é tão diferente assim hoje. Muitos ricos e poderosos se comportam de forma extravagante, praticam atividades radicais, de alto risco, brincando com a vida. Outros extrapolam ostentando uma vida luxuosa, alimentando a arrogância são engolidos pela ganancia, agindo de forma autoritária, mandando e desmandando em tudo e em todos, enquanto a desigualdade rola solta. Dizem que o poder “sobe à cabeça”. E que se quisermos conhecer alguém de verdade é só darmos poder e ela”.

No entanto, o filósofo acredita que a imortalidade não nos pertence: “muitos não se dão conta da finitude. Passam a acreditar, inconscientemente, que como Deus, também serão eternos. Mera ilusão, já que a morte é a coisa mais democrática que existe e chega para todos. Esses “poderosos” que se esquecem que não são eternos não são nem um pouco inteligentes. Pessoas inteligentes pensam na vida, portanto, pensam na morte.”.

O dinheiro não pode nos livrar da morte

O filósofo ressalta uma verdade inevitável e que independe de status social e econômico, de que não há como evitar a própria morte: “é preciso saber que possuir bens materiais ou muito dinheiro não é sinônimo de poder e que o dinheiro é só um papel, que pode comprar “quase” tudo, mas não compra saúde e muito menos é capaz de nos comprar a eternidade.Ou seja, dinheiro algum, e poder nenhum nos livrará da morte. No caixão fúnebre, cabe apenas o corpo inerte e sem vida”.

Fabiano também ressalta que o acúmulo de riquezas não é desfrutado no pós vida: “Seja o que nos espera após a vida, a riqueza acumulada e conquistada não vai conosco. Ela fica aqui para os herdeiros, que na grande maioria das vezes nada fizeram por merecer e vão apenas usufruir de bens que, possivelmente, nem darão o devido valor. Logo, o poder que advém do dinheiro é uma mera ilusão do nosso ego e da nossa vaidade. Ele acaba dando àqueles que os detêm, uma falsa sensação de eternidade, de que nada poderá os atingir, e de que eles podem tudo pois serão eternos, mas tudo isso não passa de uma ilusão que a vaidade cega impõe. Uma farsa que o ego insiste em alimentar, até que a morte vem, arrebatadora, e mostra que de eternos, não temos nada”. 

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