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Home Ambiente

Os “depósitos adormecidos” de metano no Ártico estão a começar a libertar-se (e isso pode ser avassalador)

Redação O Tablóide Por Redação O Tablóide
1 de novembro de 2020
Reading Time: 3 mins read
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GRID-Arendal / Flickr

Uma equipa de cientistas encontrou evidências de que os depósitos de metano no Oceano Ártico – conhecidos como os “gigantes adormecidos” – começaram a ser libertados na encosta continental da costa leste da Sibéria.

De acordo com o que noticia o The Guardian, foram detetados altos níveis de metano numa profundidade de 350 metros no Mar de Laptev, perto da Rússia. Esta descoberta está a provocar uma grande preocupação entre os investigadores, que acreditam que a libertação deste gás pode acelerar o ritmo do aquecimento global.

Os sedimentos das encostas no Ártico contêm uma enorme quantidade de metano congelado e outros gases – conhecidos como hidratos. O metano tem um efeito de aquecimento 80 vezes mais intenso do que o dióxido de carbono.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos já havia destacado a desestabilização dos hidratos do Ártico como um dos quatro cenários mais preocupantes no quadro das mudanças climáticas, e parece que o pior está a acontecer.

A equipa internacional, que para fazer a pesquisa viajou a bordo do navio russo R / V Akademik Keldysh, referiu que a maioria das bolhas estava a dissolver-se na água, mas os níveis de metano na superfície eram de quatro a oito vezes mais do que seria normalmente esperado.

Segundo o cientista sueco Örjan Gustafsson: “neste momento, é improvável que haja um grande impacto no aquecimento global, mas o problema é que o processo já foi iniciado, e está a afetar a encosta da Sibéria Oriental”.

Ainda assim, e apesar da crescente preocupação, os cientistas realçaram que as novas descobertas eram preliminares. A escala de libertação de metano não será confirmada até que os investigadores regressem ao local para analisar os dados e assim publicar um estudo revisado por pares.

A equipa de 60 membros acredita ser a primeira a confirmar observacionalmente que a libertação de metano está a ocorrer numa grande parte da encosta, a cerca de 600 km da costa da Sibéria. Em pelo menos seis pontos de monitorização, os investigadores observaram nuvens de bolhas libertadas por sedimentos.

Num local na encosta do Mar de Laptev, a uma profundidade de cerca de 300 metros, a equipa encontrou concentrações de metano de 1600 nanomoles por litro, o que é 400 vezes mais do que seria esperado se o mar e a atmosfera estivessem em equilíbrio.

Igor Semiletov, cientista-chefe, referiu que as descargas de metano foram “significativamente maiores” do que qualquer outra encontrada antes. “Esta é uma nova página. A libertação deste tipo de gases pode ter consequências climáticas graves, mas precisamos de mais estudos antes de podermos confirmar as nossas suspeitas”, afirmou.

A última descoberta marca a terceira fonte de emissões de metano da região. Semiletov, que estuda esta área há cerca de duas décadas, já tinha alertado anteriormente que o gás estava a ser libertado da plataforma do Ártico.

Por trás deste fenómeno pode estar o facto das temperaturas na Sibéria terem sido 5ºC mais altas este ano do que a média normal. Esta anomalia torna 600 vezes mais provável que existam emissões de metano.

No inverno passado o gelo marinho derreteu incomummente mais cedo. O congelamento deste inverno ainda está para começar, mas já é certo que terá início mais tarde do que foi registado em outros anos.


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