Cerca de 200 voos foram interrompidos em Portugal; especialistas alertam para fragilidade da rede aérea europeia e desconhecimento dos direitos dos passageiros
Portugal foi o 6º país mais afetado pela greve dos controladores de tráfego aéreo em França, nos dias 3 e 4 de julho, segundo o Relatório de Tendências da Aviação da Eurocontrol. Aproximadamente 200 voos foram atrasados ou cancelados nos aeroportos nacionais, dos quais 82 em Lisboa, afetando 24% das partidas.
Na Europa, mais de 1 milhão de passageiros foram impactados, com 200 mil impossibilitados de viajar devido a cancelamentos. Espanha e França lideraram a lista de atrasos, seguidas por Reino Unido e Itália.
A Eurocontrol estima prejuízos totais de €120 milhões entre custos com atrasos e cancelamentos. Além disso, o desvio maciço de rotas para evitar o espaço aéreo francês aumentou em 6 milhões de quilômetros a distância voada, consumindo 18 mil toneladas adicionais de combustível e emitindo mais de 60 mil toneladas extras de CO₂.
Anton Radchenko, fundador da AirAdvisor, alertou para a fragilidade estrutural da rede aérea europeia, destacando que a França não protege sobrevoos durante greves, ao contrário de Espanha e Itália. Ele também lembrou que, embora as companhias não precisem pagar compensação por se tratar de “circunstâncias extraordinárias”, têm obrigação legal de oferecer assistência aos passageiros retidos com refeições, acomodações e transferências — algo que muitas não cumprem adequadamente por falta de fiscalização e desconhecimento dos passageiros.
Segundo Radchenko, é urgente a criação de um quadro harmonizado europeu, com níveis mínimos de serviço durante greves para evitar disrupções continentais.











