Um passo à frente no ranking da paz
Em um cenário mundial cada vez mais volátil e marcado por incertezas geopolíticas, Portugal surge como um oásis de estabilidade e segurança. Segundo a 19ª edição do Índice Global da Paz (GPI) 2025, divulgado pelo Instituto de Economia e Paz (IEP), o país subiu da 8ª para a 7ª colocação entre os 163 países e territórios independentes avaliados. Um avanço aparentemente modesto, mas que carrega um simbolismo poderoso: o de um Estado que aposta na coesão social e no fortalecimento das instituições para consolidar um modelo de desenvolvimento pacífico.
“Portugal voltou consistentemente ao top 10 nos últimos anos, refletindo melhorias na percepção do crime e na estabilidade política”, diz o relatório. Para além da estatística, a subida reflete anos de políticas públicas voltadas para a inclusão, o reforço da segurança interna e o respeito aos direitos fundamentais, pilares fundamentais para a manutenção da paz social.
O contexto de um mundo em declínio de paz
Enquanto Portugal sobe, o mundo cai. De acordo com o GPI 2025, o nível global de paz continua a se deteriorar. Essa tendência preocupante, segundo o IEP, é impulsionada por aumento da militarização, conflitos regionais, fragilidade econômica, colapso de alianças diplomáticas tradicionais e escalada de tensões interestatais.
“A paz global está sob pressão crescente, e muitos dos principais indicadores que antecedem grandes conflitos estão em níveis alarmantes — os mais altos desde o fim da Segunda Guerra Mundial”, aponta o relatório. Este é o pano de fundo no qual a resiliência de Portugal se destaca. Em um momento em que a maioria dos países aumenta seus orçamentos militares e enfrenta desafios internos, Lisboa investe em políticas de bem-estar, segurança pública moderna e diplomacia cooperativa.
Os líderes da paz mundial: onde está Portugal
A Islândia manteve-se como líder global em pacifismo, ocupando o 1º lugar no GPI pelo 17º ano consecutivo — uma posição quase inabalável. Logo atrás, surgem Irlanda e Nova Zelândia, que subiu duas posições neste ciclo, reforçando sua reputação de estabilidade sociopolítica. Áustria e Suíça, dois países europeus tradicionalmente neutros, caíram ligeiramente, mas ainda compõem o seleto grupo das nações mais pacíficas do planeta.
Já Cingapura mantém sua posição de destaque, assim como a Finlândia, que subiu uma posição este ano. Dinamarca e Eslovênia completam o top 10, com Portugal firmemente no 7º lugar — seu melhor desempenho desde 2020.
Top 10 do GPI 2025:
- Islândia
- Irlanda
- Nova Zelândia
- Áustria
- Suíça
- Cingapura
- Portugal
- Dinamarca
- Eslovênia
- Finlândia
O que explica a estabilidade portuguesa?
Segurança pública com foco na prevenção
O modelo português de segurança é apontado por especialistas como um dos mais bem-sucedidos da Europa. Com base em princípios como proximidade, mediação e inteligência preventiva, as forças policiais portuguesas têm investido em treinamentos e equipamentos não letais, mantendo os índices de criminalidade entre os mais baixos do continente.
Segundo dados do Ministério da Administração Interna, Portugal registrou queda contínua em crimes violentos e graves nos últimos cinco anos, mesmo com a crescente pressão migratória e as consequências socioeconômicas da pandemia de COVID-19.
Estabilidade política e confiança nas instituições
Outro pilar crucial é a estabilidade política. Apesar de oscilações partidárias e desafios no campo da habitação e do emprego jovem, o país mantém uma democracia madura, com alternância de poder estável, eleições confiáveis e liberdade de imprensa garantida.
Pesquisas realizadas pelo Eurobarómetro mostram que mais de 70% dos cidadãos confiam nas instituições democráticas nacionais, um dos índices mais elevados da União Europeia.
Coesão social e bem-estar
Portugal também investe naquilo que os analistas do IEP chamam de “infraestrutura para a paz”: educação pública de qualidade, sistema de saúde universal, políticas de habitação social e incentivos ao terceiro setor. Esses fatores reduzem desigualdades, ampliam o acesso a oportunidades e fortalecem o tecido social.
Diplomacia tranquila, mas estratégica
No plano internacional, Portugal adota uma postura discreta, mas firme, pautada pela diplomacia multilateral e pelo engajamento em missões humanitárias. Membro ativo da ONU, da OTAN e da União Europeia, o país mantém relações exteriores baseadas na moderação, diálogo e respeito à autodeterminação dos povos.
Além disso, Portugal tem apostado em parcerias estratégicas no campo energético, ambiental e tecnológico com países da Lusofonia, posicionando-se como uma ponte entre Europa, África e América do Sul.
O contraste com o fundo do ranking
No extremo oposto do índice, o cenário é dramático. A Rússia ocupa a última colocação do GPI 2025, reflexo direto da continuidade da guerra com a Ucrânia e da repressão interna. Em seguida, aparecem Ucrânia, Sudão, República Democrática do Congo, Iémen e Afeganistão — todos países afetados por conflitos armados, colapsos institucionais e crises humanitárias severas.
A diferença entre os primeiros e os últimos colocados é um alerta para a crescente bipolarização da paz no mundo. Enquanto algumas nações consolidam modelos de convivência pacífica, outras mergulham em ciclos de violência e instabilidade com impacto direto nas suas populações.
O impacto real de viver em um país pacífico
Mas o que significa, na prática, viver em um dos países mais pacíficos do mundo? Segundo o GPI, há correlações diretas entre paz, bem-estar e desenvolvimento. Os países do topo do ranking apresentam:
- Maior expectativa de vida
- Menores níveis de desigualdade
- Maior acesso à saúde e à educação
- Menores índices de corrupção
- Economias mais resilientes a choques externos
Para Portugal, isso se traduz em qualidade de vida elevada, turismo seguro, capacidade de atrair investimentos estrangeiros e menor gasto com segurança pública repressiva.
Segurança interna em números
De acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2024, Portugal teve:
- Redução de 8,5% nos crimes contra o patrimônio
- Diminuição de 5,3% nos crimes violentos e graves
- Taxa de homicídio de 0,7 por 100 mil habitantes (uma das mais baixas da Europa)
- Queda nos casos de violência doméstica e aumento no número de denúncias anônimas, sinalizando maior confiança nos canais institucionais
O futuro da paz: desafios e oportunidades
Apesar da boa posição no ranking, Portugal enfrenta novos desafios no horizonte. A crise habitacional nas grandes cidades, o envelhecimento populacional e a crescente pressão sobre os serviços públicos exigem soluções inovadoras e colaborativas.
Além disso, o país precisa lidar com o impacto das alterações climáticas, que já afetam diretamente a economia agrícola e o risco de incêndios florestais — uma das principais preocupações de segurança ambiental.
Conclusão: o valor da paz num mundo turbulento
A ascensão de Portugal ao 7º lugar no Índice Global da Paz 2025 não é fruto do acaso. É resultado de décadas de investimento em políticas sociais, confiança institucional, profissionalismo das forças de segurança e diplomacia construtiva. Num momento em que o mundo parece retroceder para a lógica do confronto, o exemplo português brilha como um farol de serenidade.
A paz não é apenas a ausência de guerra. É a presença de justiça, equidade, participação cidadã e respeito mútuo. Portugal, com todas as suas imperfeições, caminha nessa direção. E por isso, continua sendo um dos melhores lugares do mundo para viver, visitar e, sobretudo, conviver.










