O primeiro-ministro Luís Montenegro e o chefe do grupo parlamentar do Partido Social Democrata (PSD) recusaram, esta quinta-feira, a tese de que o aparelho estatal tenha fracassado na reação às recentes intempéries, reconhecendo que existiram limitações, mas sustentando que a intervenção foi rápida e eficiente.
A sessão quinzenal na Assembleia da República ficou praticamente centrada na avaliação da atuação do executivo face às depressões Kristin, Leonardo e Marta, que causaram 18 vítimas mortais, centenas de feridos e desalojados.
Na parte final da sessão, o líder da bancada social-democrata, Hugo Soares, expressou reconhecimento às instituições públicas mobilizadas no terreno, defendendo que a respetiva ação comprova que “o Estado não falhou”. O chefe do Governo juntou-se ao agradecimento, alargando-o igualmente a entidades da área social e privada, que considerou terem cooperado “de forma absolutamente notável”.
Luís Montenegro reconheceu que “nem tudo decorreu de forma ideal”, mas questionou se algum desastre permitirá uma reação irrepreensível. Sustentou que foram ativados instrumentos de apoio imediato e de socorro nas primeiras 24 horas, contrariando críticas de demora ou subvalorização do cenário.
Sem identificar interlocutores específicos, apontou que alguns agentes partidários estariam mais concentrados em estratégias eleitorais do que na mitigação de dificuldades concretas das comunidades atingidas. “No Governo, a nossa prioridade são respostas, não slogans nem atos eleitorais”, declarou.
O líder do executivo enalteceu ainda os presidentes de câmara, assegurando fazê-lo “sem sectarismo partidário”, observação que motivou manifestações nas fileiras à esquerda. Perante as gargalhadas, censurou o que qualificou como “sectarismo exacerbado”.
Anteriormente, Hugo Soares havia dirigido reparos ao chefe da bancada do Partido Socialista, José Luís Carneiro, refutando a tese de incumprimento por parte do Estado.
O responsável social-democrata visou igualmente o líder do Chega, André Ventura, imputando-lhe ausência de empatia ao atribuir ao executivo as mortes registadas durante intervenções em coberturas de habitações. Alegou ainda que Ventura recorreu a registos visuais adulterados nas plataformas digitais durante os temporais, qualificando tal atitude como “uma vergonha”.










