O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, justificou nesta quinta-feira a abstenção do partido relativamente à proposta do PS para criar uma comissão independente de apuração dos incêndios, alegando que “não vale a pena alimentar ilusões”.
“Nós dissemos desde o início que não iríamos travar nenhuma iniciativa desse género. Mas isso não significa dar força a uma ilusão, porque, no fundo, é disso que se trata”, declarou o dirigente comunista, após visita à população de Nespereira, em Cinfães (Viseu), afetada pelos fogos.
Raimundo sublinhou que “os relatórios já existem, o que falta é executar”, recordando medidas aprovadas após os incêndios de 2017 em Pedrógão Grande que continuam sem aplicação. Para ele, trata-se de uma escolha política: investir recursos na proteção do território e das pessoas ou em áreas alheias às necessidades nacionais, como “a guerra, a redução do IRC e benefícios fiscais a grandes companhias”.
Entre as críticas ao Executivo, destacou “o escândalo do arrendamento de meios aéreos, que consome mais de 300 milhões de euros, quando o país deveria possuir frota própria”. Reforçou ainda que “o Estado precisa estar mais presente, seja na prevenção, na gestão ou no combate”.
O líder do PCP acusou o governo de cortar 114 milhões de euros em apoio à floresta em 2024 e de manter o “desmantelamento dos serviços agrícolas”. Também criticou a gestão dos apoios às vítimas, defendendo que “o auxílio devia ser de 15 mil euros e não 10” e apontando a demora na chegada às famílias.
Para Raimundo, o combate deveria ser coordenado por entidades locais, “que conhecem o território e as condições”. E concluiu: “Não adianta vir com lágrimas de crocodilo, quando as opções políticas são contrárias às necessidades da população e da floresta”.










