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Home Ciência

Restos de bombas atómicas revelam longa vida dos tubarões-baleia

Redação O Tablóide Por Redação O Tablóide
8 de Abril de 2020
Reading Time: 3 mins read
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Pete Johnson / Canva

Cientistas estão a determinar a esperança de vida do maior peixe dos oceanos com a ajuda de testes de bombas atómicas realizados durante a Guerra Fria, entre os anos 50 e 60.

Em perigo de extinção, os tubarões-baleia são o maior peixe dos oceanos e têm uma longa esperança de vida que sempre maravilhou a comunidade científica. No entanto, medir a idade que conseguem atingir tem sido complicado, uma vez que estes animais carecem de otólitos, que são estruturas ósseas normalmente usadas para avaliar a idade de outros peixes.

Durante os anos 50 e 60, países como os Estados Unidos, a União Soviética, o Reino Unido, a França e a China realizaram testes de armas nucleares. Segundo a Europa Press, muitas destas explosões foram detonadas no ar a vários quilómetros de distância. Um efeito destas explosões foi a duplicação atmosférica temporária de um isótopo chamado carbono-14.

Este elemento radioativo é usado por arqueólogos para datar ossos e artefactos antigos. O isótopo passou gradualmente pelas cadeias alimentares para todos os seres vivos, produzindo uma assinatura de carbono-14 elevada, que ainda persiste nos dias de hoje.

Este isótopo adicional também se desintegra a uma taxa constante, o que significa que a quantidade contida no osso formado a uma certa altura será ligeiramente maior do que a contida no osso formado mais recentemente.

“O uso de ensaios de radiocarbono de bombas como validação de idade para peixes de vida longa tem sido cada vez mais aplicado a peixes e tubarões, e agora aplicamos isso, pela primeira vez, às vértebras dos tubarões-baleia”, explicou a autora do estudo, Joyce Ong, em declarações ao Gizmodo.

“Se sabe a idade e o tamanho de um peixe, pode calcular uma taxa de crescimento. Este é um parâmetro crítico, porque indica a resistência de uma espécie e a rapidez com que ela pode recuperar se ameaças como a pesca excessiva reduzirem o tamanho da população”, explicou, por sua vez, Mark Meekan, coautor do estudo publicado esta segunda-feira na revista científica Frontiers in Marine Science.

“No caso dos tubarões-baleia, parece que eles crescem muito lentamente até estes tamanhos grandes. Os tubarões podem não amadurecer até terem 30 anos de idade. Isto significa que é improvável que as populações de tubarão-baleia recuperem rapidamente se os números forem reduzidos”, acrescentou.

Um dos espécimes analisados mostrou conclusivamente ter 50 anos de idade na altura da sua morte. Esta foi a primeira vez que a idade de um tubarão-baleia foi verificada sem ambiguidades. Estudos de anteriores sugeriram que os maiores tubarões-baleia podem viver durante 100 anos.

“O nosso estudo mostra que os tubarões adultos podem atingir uma grande idade e que a longa vida útil provavelmente é uma característica da espécie. Agora temos outra peça do quebra-cabeças”, salientou Meekan.

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