José Luís Carneiro já tinha defendido, no domingo, a realização de uma reunião do Conselho Nacional da Proteção Civil. O dirigente máximo do PS, José Luís Carneiro, exigiu, esta segunda-feira, que o Executivo de Luís Montenegro decrete situação de calamidade para reforçar o apoio às comunidades e zonas do país mais atingidas pelos fogos florestais nas últimas semanas em Portugal.
“Há uma medida que deve ser assumida, que se prende com a situação de calamidade, porque, para assistir as populações, em especial no setor agrícola, na reposição da atividade agroflorestal, na recuperação de estradas, edifícios e unidades empresariais associadas ao espaço rural e ao território da floresta, é fundamental decretar a situação de calamidade”, insistiu o responsável socialista, em declarações aos repórteres, durante uma deslocação à ilha do Faial, nos Açores.
José Luís Carneiro já tinha defendido, no domingo, a convocação do Conselho Nacional da Proteção Civil, após os violentos incêndios que deflagraram em várias regiões, mas o primeiro-ministro, Luís Montenegro, entretanto apelou à confiança no desempenho do Serviço Nacional de Proteção Civil no combate ao fogo.
“Naturalmente, temos de confiar no dispositivo da Proteção Civil nacional e, mais uma vez, manifestar solidariedade por todos os esforços em curso”, salientou José Luís Carneiro, acrescentando que “a questão política é outra”, de um Estado que “falhou” ao não recorrer ao apoio da União Europeia, ao não decretar a situação de contingência, ao não reunir a Comissão Nacional de Proteção Civil e ao não oficializar o estado de calamidade.
O secretário-geral do PS considerou ainda que as recentes palavras de Luís Montenegro, sobre os apoios europeus ao combate aos incêndios, mostram desconhecimento quanto ao funcionamento desses instrumentos em situações como a atual em Portugal.
“Eu próprio, quando tinha funções [no Ministério da Administração Interna], fui à Comissão Europeia, com os meus homólogos, não apenas solicitar meios, mas também pedir que fossem pré-posicionados para garantir maior eficácia”, recordou o ex-ministro socialista.
José Luís Carneiro disse não se sentir convencido com as explicações do Governo sobre o tema e assegurou que a bancada parlamentar do PS vai propor a criação de um grupo técnico independente para avaliar a “falta de coordenação política” no combate aos fogos.
“Um grupo técnico independente que possa demonstrar de que forma faltou direção e acompanhamento político” neste processo, reforçou o secretário-geral do PS, lembrando que, “basta ouvir dirigentes de várias entidades, associações de bombeiros voluntários e até presidentes de câmara” das áreas afetadas, que, na sua visão, “sentiram ausência, sobretudo no acompanhamento político”.
Na sua perspetiva, três ministérios são decisivos para uma resposta mais eficaz ao combate às chamas (Administração Interna, Defesa Nacional e Justiça), embora todos devessem ser articulados pela Comissão Nacional de Proteção Civil, que, segundo ele, lamentavelmente ainda não foi reunida.
Questionado se concorda com o pedido de saída da Ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, feito ontem pelo líder do Chega, André Ventura, José Luís Carneiro respondeu que a responsabilidade pela má gestão da crise não deve recair apenas sobre ela: “Não se pode atribuir culpas apenas a um ministro ou a uma ministra, e é por isso que se deve pedir responsabilidades ao primeiro-ministro”.










