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Home Economia

Sétima Arte: Uma morte anunciada que está a azedar a relação entre distribuidoras e cinemas

Redação O Tablóide Por Redação O Tablóide
9 de Outubro de 2020
Reading Time: 3 mins read
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cineworld / Facebook

A sétima arte foi uma das áreas culturais que mais sentiu o impacto da pandemia do novo coronavírus. Em todo o mundo, milhares de salas estiveram fechadas durante meses, e a relação entre cinemas e distribuidores tornou-se ainda mais amarga.

Segundo o The Conversation, depois do início da pandemia, a morte do cinema tem sido anunciada por muitos especialistas, mas esta parece tender a chegar de forma lenta (o que pode ser positivo, pois permite a possibilidade de reverter os efeitos negativos).

Os famosos cinemas Cineworld anunciaram que vão fechar temporariamente todas as suas salas no Reino Unido. Logo após comunicar esta decisão, também os grupo Odeon informou que iria começar a abrir as portas apenas durante os fins de semana.

De acordo com o British Film Institute (BFI), o Odeon e o Cineworld são detentores de quase metade (48,8%) das salas de cinema do Reino Unido, por isso as decisões que tomaram vão ter um impacto significativo no cultura do país.

O receio do público regressar às salas, e a ausência de grandes filmes – capazes de alcançarem verdadeiros sucessos de bilheteiras – são alguns os fatores que colocam os dois grupos britânicos em concordância na hora de tomar medidas mais drásticas.

Neste sentido, a relação entre distribuidores de filmes e cinemas pode complicar-se. As redes de cinemas e os grandes distribuidores são dependentes uns dos outros, uma vez que os cinemas precisam dos filmes para vender bilhetes, e os distribuidores precisam dos cinemas para mostrar os seus produtos. Esta dependência não tem sido fácil de gerir nos últimos anos, revela o The Conversation.

Os 50 filmes com maior sucesso nas bilheteiras do Reino Unido representam quase 90% da do número de bilhetes vendidos total. Com mais de 700 filmes a serem lançados todos os anos, este impacto das grandes produções deixa pouco espaço para filmes com menor destaque, cujas receitas não têm capacidade de sustentar todos os custos fixos elevados que o cinema exige.

Em 2019, três distribuidores de grande peso na sétima arte (Disney, Universal e Warner Bros) tinham uma participação de mercado de mais de 64% –  só a Disney arrecadava cerca de 38%. Nesse sentido, a pandemia pode abalar a produção e as receitas das distribuidoras mas não será o suficiente para as levar à falência. Há uma grande procura que não diminuiu, em certos tipo de filmes, e isso tranquiliza as grandes empresas.

O único grande filme a ser lançado desde a reabertura dos cinemas foi o Princípio de Christopher Nolan – que recebeu várias críticas pelo desempenho, e foi considerado “mau”. Outras grandes estreias viram as suas datas de lançamento adiadas para 2021 – como é o caso do novo filme de James Bond.

O adiamento de grandes filmes aumentou a tensão entre distribuidoras de filmes e cinemas. Por um lado os cinemas não gostaram da ideia, pois consideram que grandes cartazes podiam fazer com que “o público comece a voltar”. Por outro, as distribuidoras estavam com medo e não queriam lançar filmes que tiveram grande investimento, para depois não alcançarem receitas suficientes.

Contudo, e apesar do cenário se mostrar negro, a morte do cinema também foi anunciada muitas vezes por vários críticos em outros momentos, um desses casos foi quando surgiu a televisão.

Por isso pandemia de covid-19 pode ser apenas um obstáculo que poderá fazer com que a sétima arte se reinvente.


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