Responsável por cerca de 12% do PIB nacional e por mais de 400 mil empregos, o turismo é hoje um dos principais motores da economia portuguesa. Só em 2024, o setor representou 34 mil milhões de euros, o valor mais elevado de sempre, segundo dados do INE.
Além de ser a principal atividade exportadora, o turismo tem vindo a desempenhar um papel de equilíbrio na balança corrente, através de um forte crescimento das exportações de serviços turísticos, que atingiram 27,7 mil milhões de euros no último ano, de acordo com o Banco de Portugal.
O impacto vai muito além do alojamento e da restauração, estendendo-se a setores como o agroalimentar, a construção e a reabilitação urbana, bem como a atividades culturais e de animação. É uma força positiva para o país, para a economia e para as pessoas, sublinha o porta-voz do Turismo de Portugal, destacando o contributo para a coesão social e territorial.
Para o economista sénior do Banco Carregosa, Paulo Monteiro Rosa, o setor assumiu “um papel cada vez mais central” no crescimento económico. Mas alerta: Esta dependência também expõe a economia a riscos, pois o turismo é altamente volátil e sujeito a choques externos, como se verificou durante a pandemia.
Os desafios vão além da vulnerabilidade externa. Entre os mais críticos estão a pressão sobre a habitação — sobretudo em Lisboa, Porto e Algarve, onde o alojamento turístico compete com a habitação permanente e contribui para a subida dos preços — e a sazonalidade, que concentra receitas e procura nos meses de verão, limitando a estabilidade do emprego.
Apesar disso, especialistas defendem que o setor pode continuar a crescer, mas com uma estratégia baseada na qualidade, segmentação e melhor distribuição territorial, descentralizando fluxos turísticos e apostando em segmentos de maior valor acrescentado.










