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Home Ciência

Variante espanhola do vírus é responsável pela maioria dos atuais casos no Reino Unido

Redação O Tablóide Por Redação O Tablóide
2 de Novembro de 2020
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Tim Dennell / Flickr

Um novo estudo desenvolvido poe investigadores suíços sugeriu que uma variante do coronavírus originária de Espanha é atualmente responsável pela maioria dos casos no Reino Unido, destacando a fraqueza das políticas de viagens do Governo britânico durante o verão.

A pesquisa, publicada no medRxiv e ainda não revista pelos pares, revelou que uma nova variante do coronavírus, conhecida como 20A.EU1, surgiu em Espanha durante o verão e desde então está a espalhar-se por vários países europeus, incluindo o Reino Unido, noticiou no sábado o Guardian.

Em meados de setembro, a variante em causa foi encontrada em 80% dos casos registados no País de Gales e na Escócia e em cerca de 50% dos registados na Suíça e na Inglaterra, indicaram os autores do estudo.

A variante apareceu no Reino Unido em meados de julho, quando as viagens sem quarentena para a Espanha foram permitidas a partir de Inglaterra, do País de Gales e da Irlanda do Norte. A nova variante é agora comum em vários países da Europa.

À BBC Radio 4, a geneticista e principal autora do estudo, Emma Hodcroft, da Universidade de Basel, enfatizou que ainda não havia sinais de que esta variante seja mais perigosa do que outras, ou que possa prejudicar o desenvolvimento de uma vacina. “Não é muito diferente das variantes que circularam na primavera”, afirmou.

No início deste ano, especialistas levantaram uma série de preocupações sobre as viagens internacionais devido à sobrelotação nos aeroportos, à falta de informação sobre quarentenas e às fracas verificações dos formulários de teste e rastreio.

Devi Sridhar, presidente do departamento de Saúde Pública Global da Universidade de Edimburgo, relatou falhas na abordagem do Governo britânico quanto às viagens durante o verão. “Os números estavam realmente baixos e essa era nossa oportunidade de mantê-los baixos”, apontou, frisando: “O vírus move-se quando as pessoas movem-se”.

Alberto Morante / EPA

Sridhar indicou que há duas abordagens para gerir o vírus: manter as fronteiras abertas – como ocorreu no Reino Unido – e adotar restrições severas para tentar combater a transmissão na comunidade; ou controlar a fronteira de forma mais rígida – como em Taiwan e na Nova Zelândia -, mas ter poucas restrições no dia-a-dia.

“Sinto que na Europa queremos tudo, queremos poder ir de férias, queremos ter bares abertos, pubs abertos, clubes abertos – mas com um vírus tão infecioso e com uma taxa de hospitalização associada, é quase impossível”, acrescentou.

“O maior erro que o mundo cometeu desde o início foi não aplicar mais restrições às viagens para controlar a propagação”, concluiu.

Para o professor John Edmunds, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, a questão no momento é que pode haver quase 100 mil novas infeções todos os dias no Reino Unido – algo que considera mais preocupante do que o número de casos importados do estrangeiro.

Já Michael Head, investigador de Saúde Global da Universidade de Southampton, declarou: “O Reino Unido, juntamente com outros países europeus, tem sido muito reativo na resposta à covid-19, em vez de proativo. Isso incluiu abordagens reativas em torno de viagens internacionais, implementando apenas recomendações de quarentena aos viajantes que retornam quando as taxas são altas”.

“Com um sistema de teste e rastreio de baixa qualidade, pouco compromisso dos que estão isolados e baixos níveis de confiança no Governo, o Reino Unido está mal colocado para o início do inverno”, sublinhou.


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