A prevenção contra o vírus do HIV pode estar prestes a sofrer uma mudança profunda. Uma nova pílula de profilaxia pré-exposição (PrEP), concebida para ser tomada apenas uma vez por mês, entrou na terceira e última fase de ensaios clínicos. Se os resultados forem positivos, o tratamento poderá substituir a exigência atual de tomar dois comprimidos todos os dias, facilitando a adesão de quem precisa de proteção.
O fármaco em teste, designado alimatravir ou MK-8527, atua no organismo impedindo a multiplicação do vírus. Para acelerar o acesso global após a eventual aprovação, a farmacêutica Merck Sharp & Dohme (MSD) assinou acordos de licenciamento voluntário com fabricantes de genéricos. Entre os parceiros selecionados estão a Fundação Oswaldo Cruz, no Brasil, a Aspen Pharmacare, na África do Sul, a Quality Chemicals Industries, no Uganda, e a Universal Corporation, no Quénia.
A urgência desta resposta reflete-se nos dados do último ano. Cerca de 1,2 milhões de pessoas contraíram o vírus no mundo e 570 mil morreram devido a complicações ligadas à SIDA. O cenário é particularmente grave na África Subsariana, onde cerca de 3100 raparigas e mulheres jovens são infetadas todas as semanas.
Acesso universal como prioridade
A distribuição rápida e a preços acessíveis para países de baixo e médio rendimento é uma exigência defendida pela vice-diretora executiva da ONUSIDA, Angeli Achrekar. Para a organização, a inovação científica só cumpre o seu papel se chegar rapidamente às populações vulneráveis a partir do primeiro dia da sua aprovação.
Atualmente, só no Brasil, mais de 100 mil pessoas utilizam a PrEP diária através do sistema de saúde pública. A chegada deste novo formato mensal — que se somará às pílulas diárias e aos injetáveis de longa duração — surge como um pilar importante para atingir a meta global da ONU de erradicar a SIDA como ameaça de saúde pública até ao ano de 2030.











