O presidente do Chega, André Ventura, afirmou esta quinta-feira que extinguir o seu partido “seria não só uma afronta à democracia, como seria extinguir a própria democracia”. O líder partidário reagia à queixa apresentada pelo advogado António Garcia Pereira junto do procurador-geral da República, pedindo que o Ministério Público acione os mecanismos legais para a extinção do Chega.
Em declarações aos jornalistas no Parlamento, Ventura lamentou que “grande parte do espaço político e noticioso seja feito em prol de uma tentativa de ilegalização de um partido político”.
“Temos assistido consecutivamente a isto sempre que há novos períodos eleitorais. É triste, porque mostra como os nossos adversários não querem debater connosco, não nos querem vencer pelo argumento, mas sim pela força, pelo cancelamento e pela ilegalização”, afirmou.
Ventura argumentou ainda que o Chega é o líder da oposição, acrescentando que a extinção do partido “seria não só uma afronta à democracia como seria extinguir a própria democracia”.
O líder do Chega referiu que as queixas relacionadas com os cartazes do partido sobre o Bangladesh e sobre os ciganos, bem como o pedido de extinção, evidenciam um “enviesamento político” existente em Portugal.
“Estaremos para responder onde tivermos de responder, mas a democracia não pode estar em risco. Há pessoas que acham que se vence em democracia calando os outros”, declarou.
Ventura defendeu que as instituições portuguesas “têm de se proteger deste tipo de pedidos e deste tipo de gente que acha que se deve ilegalizar aqueles com quem não concorda” e assegurou que o Chega não vai mudar os seus valores.
Questionado sobre a notícia de que a deputada socialista Eva Cruzeiro vai apresentar queixa contra o deputado do Chega Filipe Melo por supostos comentários xenófobos, André Ventura respondeu que o parlamentar foi provocado.
“Acho que devia começar pelo comportamento da Eva Cruzeiro. Quem diz o que quer, ouve o que não quer. Se eu disser que alguém é racista, corrupto ou que rouba dinheiro aos portugueses, essa pessoa vai-me responder. Reação gera reação — e estas reações não são positivas para a democracia”, concluiu.











