Ceuta, Espanha – O fluxo migratório em Ceuta sofreu uma inversão drástica nas últimas 30 horas. As forças de segurança espanholas estimam que 69.500 migrantes deixaram o território em direção a Marrocos, um movimento que inclui tanto recém-chegados quanto indivíduos que já se encontravam na cidade autónoma. Este cálculo, de acordo com fontes policiais, reflete uma volatilidade extrema, com registos de pessoas que atravessaram a fronteira em ambos os sentidos por diversas vezes ao longo da sexta-feira.
A dimensão da crise tornou-se evidente na disparidade das estimativas oficiais. Enquanto o Ministério do Interior contabilizou 50 mil entradas no passado dia 30, o presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, apontou para um valor mais elevado, próximo das 60 mil pessoas. Contudo, o cenário alterou-se durante a última noite, descrita como calma e marcada pela cessação total de novas entradas, permitindo o escoamento contínuo para o lado marroquino.
O regresso forçado ou voluntário de milhares de migrantes foi motivado por uma combinação de fatores: o anúncio de um acordo de repatriação entre os governos de Espanha e Marrocos e a incapacidade estrutural da cidade para responder às necessidades básicas. Com o encerramento generalizado de estabelecimentos comerciais, superfícies de restauração e lojas, a permanência tornou-se insustentável para quem buscava abrigo.
Enquanto Ceuta ensaia um regresso à normalidade, Melilla vive uma realidade distinta. A pressão migratória manteve-se alta durante duas noites consecutivas, com patrulhas intensas e o recurso a material antidistúrbios para impedir passagens irregulares. O posto fronteiriço de Beni-Enzar permanece encerrado, deixando retidos mais de mil viajantes integrados na Operação Passagem do Estreito.
A situação é particularmente crítica nos centros de proteção de Melilla. Após 130 novas entradas registadas apenas na quinta-feira — das quais 84 correspondem a menores de idade —, a lotação atingiu os 260 acolhidos. Este número supera em três vezes o limite máximo definido pelo protocolo de contingência migratória local. Durante a madrugada, a tensão manifestou-se ao longo da vedação, onde grupos de jovens magrebinos provocaram danos em postos de vigilância e atearam pequenos focos de incêndio junto ao perímetro, prolongando o estado de alerta até às primeiras horas da manhã.











